terça-feira, 14 de agosto de 2012

Conversa de Exu

“Salve companheiros!

Começaremos este breve comentário lembrando que nós somos seres espirituais encarnados em busca da evolução e aprimoramento da nossa alma. O Ritual de Umbanda Sagrada é uma religião fundamentada nos ensinamentos morais trazidos principalmente pelo Mestre Jesus, onde a lei principal é a Caridade, Amor e Fé.


Na Umbanda, jamais é permitido qualquer tipo de “trabalhinhos” de amarração, maldade, vingança e sentimentos parecidos. Dentro do corpo religioso da Umbanda, temos vários tipos de atuações espirituais, tais como: Caboclos, Preto Velho, Erês, Baianos, etc e Exu.


Muitas religiões atacam Exu como se fossem Demônios. Mas pense bem!


Caboclos, por exemplo, são espíritos que descem até os Templos para vos auxiliarem e vos orientarem para um bom caminho moral. Só que no astral da terra vocês são o tempo todo assediados e cercados de espíritos malignos esperando o momento certo para vos prejudicar. Então é quando os Exus entram em ação, para afastar estes maus espíritos de perto de vocês, claro que isto somente quando são merecedores.


Exu é um espírito comum a todos vocês que vem na Umbanda para fazer o Bem e manter a ordem dos trabalhos. Exu é a Polícia do Astral. Jamais um Exu verdadeiro cobra para fazer trabalhos, ou prejudica alguém, muito menos fazer amarração, nem são porcos e agressivos. Esta mania de Exu e Pomba Gira ficarem falando palavras de baixo calão, ridicularizando as pessoas, bebendo e comendo exageradamente é um perigo. Pois Exu mesmo não está ali, o que tem são espíritos mistificadores e zombeteiros enganando todo mundo para saciar seu ego. Exu verdadeiro (como somos chamados Exu de Lei) jamais aceita estes comportamentos. Cuidado com o seu sentimento irmão, se por acaso você pedir o mal para um Exu de Lei, pode ter certeza que você será encaminhado para prestar contas com a Lei Divina. Não pense que estes espíritos mistificadores fazem o que prometem, é pura farsa, eles estão te enganando para se alimentarem a suas custas, porque eles sabem que todo mundo tem um Exu de Guarda e eles não vão querer enfrentar um Exu.


Então ao invés de olharem para o próprio umbigo, busque Exu para esclarecimentos e auxílio para evoluir. Lembre-se, o Criador é Onisciente e Onipresente, Ele sabe de tudo e está em tudo, não pense que suas ações passarão despercebidas. Exu é o executor da Lei Divina e não faz o que quer.


A que ponto pode chegar à ignorância humana em visualizar estes seres espirituais como meros negociantes ilícitos, fazendo dos terreiros, balcão de negócios, em total dissonância com o bom senso e a Lei Suprema. Exu não é marionete. Exu não é o diabo. Exu é símbolo de dinamismo e aperfeiçoamento espiritual constante.


E você? O que pretende com Exu?"

(Mensagem ditada por
Sr. Tranca Ruas das7 Encruzilhadas
para Rodrigo Queiroz)

Grupo de Estudo Caboclo Sucupira: Situação Espiritual do Brasil - 1.500 a 1.900



Grupo de Estudo Caboclo Sucupira - Umbanda: Religião ou Seita?

Saravá, Leitores!
Essas são as apostilas do Primeiro Programa de Estudo do Grupo Caboclo Sucupira: "Os Fundamentos da Religião de Umbanda".
Neste Subprograma "Umbanda: Religião ou Seita?", os alunos são levados a meditar sobre a diferença entre seita e religião e definir o caráter religioso da Umbanda.
Faça o download das apostilas e utilize-as no seu terreiro. Futuramente, disponibilizaremos as demais apostilas.
Bons estudos!



sábado, 11 de agosto de 2012

A Linha dos Exus

"Na África, Exu é um Orixá e seu culto difere da forma como são entendidos e tratados os que aqui incorporam em seus médiuns e dão passes e consultas.
Lá, Exu é um mensageiro que leva os pedidos das pessoas até os Orixás e traz as respostas.
Ele sempre é o primeiro a ser servido e a ser despachado, levando embora todos os problemas e perturbações.
É respeitado como um Orixá, nunca como um espírito.
Ele tem sua forma de ser cultuado e oferendado e tem seus sacerdotes, seu Omo-Exu (filhos de Exu) que o tem em grande estima e o trata com o mesmo respeito que dedica a todos os outros Orixás.
Quanto à Umbanda , não há culto aos Orixás sem presença de Exu. Mas ele, diferentemente da África, aqui recebeu uma linha à "esquerda" por meio da qual os espíritos manifestadores dos seus mistérios podem incorporar em seus médiuns e consultar as pessoas, auxiliando-as nas suas necessidades e dificuldades materiais ou espirituais.
Exu, na Umbanda, é uma Linha de trabalhos espirituais que se assenta e atua à esquerda dos seus médiuns.
Eles precisam ser oferendados nos seus campos de ação, tais como: nas matas, nos rios, nas lagoas, à beira-mar, nos cemitérios, nos caminhos, nas encruzilhadas, nas pedreiras, etc.
Os seus nomes simbólicos indicam seus campos de ações e onde devem ser oferendados.
Quando incorporam, são alegres, falantes, galhofeiros, sarcásticos, irônicos e até meio chulos. Tudo isso faz parte do arquétipo marcante que assumiram na Umbanda.
Seus nomes variam desde nomes dados a pessoas (João Caveira) até nomes indígenas (Marabá, Jibóia, Arranca-Tocos, Marambaia, Cipó, Folha-Seca, etc).
Todos são espíritos que já viveram na Terra, têm sua história e se tornaram Exus a duras penas, pois é sob a irradiação do Orixá Exu que estão evoluindo e servindo à Lei Maior.
Médiuns mal orientados ou mal doutrinados dão vazão aos seus recalques ou sentimentos íntimos negativos, e aí o seu "Exu de Trabalho" apresenta-se grosseiro, chulo, desrespeitoso.
Já com médiuns bem doutrinados e preparados, Exu não deixa de ser o que é, mas o é de uma forma agradável e respeitosa.
Cada médium tem um Exu guardião e um Exu de trabalho.
O Exu Guardião é ligado ao Orixá do médium e o Exu de trabalhos espirituais é ligado ao guia chefe ou ao mentor dos seus trabalhos.

Origem Africana

Muitos autores o descrevem como o primeiro Orixá a ser criado por Olorum, fato esse que o torna o primogênito na Teogonia Nagô.
Seu culto está associado à procriação e seu símbolo mais ostensivo é um cetro fálico. Inclusive, em alguns dos seus assentamentos, esse símbolo o identifica de imediato.
Uma das razões de ele ser o primeiro a ser oferendado é que, antes de algo existir no exterior de Olorum, só existia o vazio à volta de sua morada interior. E Exu é o Orixá regente do vazio.
Então, como só existia o vazio e era nele que tudo seria construído, qualquer coisa só poderia ser construída com a anuência de Exu.
Os Orixás concordaram em dar a primazia a primogenitura a ele, senão nada construiriam.
O vazio é anterior a tudo e Oxalá só pôde criar o espaço com a concordância de Exu, pois ele foi criado justamente em cima dos domínios de Exu.
Outro dos mistérios do Orixá Exu rege sobre a reprodução e refere-se a órgão genital masculino e sobre o vigor sexual.
Mas, esse e alguns outros mistérios regidos pro Exu não prosperaram em nossa cultura judaico-cristã que associa o sexo ao pecado original e estigmatiza qualquer alusão nesse sentido à ação do diabo.
Como quem vence e quem manda é a maioria, o melhor a ser feito com Exu era o que já haviam feito com os indígenas: cobri-lo com uma capa, vesti-lo com um calção qualquer e ocultar tão acintosa ascendência dele sobre os seres humanos, que procriam justamente com o auxílio do dito cujo, ostentado por esse enigmático Orixá em seu cetro fálico.
Colocaram na mão dele um novo símbolo: o tridente de Netuno, estigmatizado pelos cristãos novos como símbolo do maligno.
Outro dos mistérios de Exu são as cabaças, que simbolizam o útero e o poder procriador feminino. Se ele rege o mistério da sexualidade masculina, da feminina ele é o guardião.
Exu, de fato e de direito, é o guardião da sexualidade em seu aspecto feminino e sua ascendência é inegável." (1).

"Exu é o orixá da comunicação. É o guardião das aldeias, cidades, casas e do axé, das coisas que são feitas e do comportamento humano. A palavra Èsù em yorubá significa “esfera” e, na verdade, Exu é o orixá do movimento.
Ele é quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir que sua função de mensageiro entre o Orun  (o mundo material ) e o Aiye (o mundo espiritual) seja plenamente realizada.
Na  época das colonizações, o Exu foi sincretizado erroneamente com o diabo cristão pelos colonizadores, devido ao seu estilo irreverente, brincalhão e a forma como é representado no culto africano, um falo humano ereto, simbolizando a fertilidade.
É comumente confundido com a figura de Satanás, o que é um absurdo na construção teológica yorubá, posto que não está em oposição a Deus, muito menos é considerado uma personificação do mal. Mesmo porque nesta religião não existem diabos ou entidades encarregadas única e exclusivamente de coisas ruins como fazem as religiões cristãs. Estas pregam que tudo o que acontece de errado é culpa de um único ser que foi expulso; pelo contrário, na mitologia yoruba, bem como no candomblé, cada uma das entidades (Orixás) tem sua porção positiva e negativa assim como o próprio ser humano.
Como tudo no universo possui de um modo geral dois lados, positivo e negativo, Exu também funciona de forma positiva e negativa. Daí ser Exu considerado o mais humano dos orixás, pois o seu caráter lembra o do ser humano que é de um modo geral muito mutante em suas ações e atitudes" (2).


Lenda de Exu



"Exu é o cozinheiro de todos os Orixás. Mestre nos temperos, Exu faz de tudo na cozinha: axoxó, benguiri, omolocum, amalá, farofa... Tudo com muita pimenta!
Até que um dia falta pimenta na cozinha e Exu resolve fazer sem pimenta mesmo.
Xangô não gosta nem um  pouco e pede a Exu que pegue o cavalo e traga pimenta.
Enquanto Exu buscava pimenta, os Orixás começaram a comer a comida preparada por Exu, sem pimenta mesmo. E acharam foi bom!
Xangô quando vê a panela vazia, ordena aos Orixás que encham a panela com água.
Exu chega e, furioso ao ver sua panela cheia de água e sem comida, ordena: a partir de agora, Exu é o primeiro a comer e sem a comida de Exu, nenhuma comunicação acontece entre a Terra e os Orixás. No Candomblé, até hoje, toda cerimônia começa com padê, de Exu" (3).


(1) - UMBANDA, Os Arquétipos da, As Hierarquias Espirituais dos Orixás - Rubens Saraceni - 2007, Madras Editora Ltda, in Os Exus na Umbanda, pg 121-124.
(2) Exu (Orixá) - Wikipedia, a enciclopédia livre.
(3) Lenda do Orixá Exu (Esú) - postado no Youtube no canal de Victorcabreu.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Agosto, Mês de Exu... Quem Disse Isso?!?

O mês de agosto é considerado um mês aziago, de mau agoro e péssimo para empreitadas de negócios, viagens e casamentos. Esta é a crendice vulgarmente conhecida e passada de pai para filho ao longo dos anos.
De acordo com a crença nordestina, o dia mais aziago do ano é 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, quando o diabo se solta do inferno. Pereira da Costa escreve (Folclore Pernambucano): "O diabo aparece furtivamente, iludindo a vigilância dos arcanjos, que o trazem sob as suas vistas, armados de flamejantes espadas; mas, no dia de São Bartolomeu, a 24 de agosto, solta-se licenciadamente, e fica em plena liberdade. Por isso é prudente a gente prevenir-se para não cair nas suas ciladas(...) Agosto é um mês aziago, é um mês de desgostos; e é de mau agouro para casamentos, mudança de casas e o empreendimento de qualquer negócio de importância."
Leonardo Mota também registrou (Violeiros do Norte): "Escreveu o Barão de Studart, num rol de superstições cearenses: "Não se deve empreender viagem, dia de São Bartolomeu (24 de agosto) porque nesse dia o diabo anda solto". Pois bem: os irmãos Branesse, fugitivos da Penitenciária de Fortaleza e que, aliás, eram dados a superstições, porquanto os seus cadáveres foram encontrados com patuás, empreenderam nesse dia a viagem... da Eternidade, em fatal encontro com o destacamento do capitão Bezerra de Maria. Foi isso exatamente no dia 24 de agosto, isto é, sexta-feira da semana passada, o tal dia de São Bartolomeu, em que não se deve empreender viagem. Essa superstição sobre o 24 de agosto é comum em todo o nordeste."
"Em dia de São Bartolomeu tem o demo uma hora de seu." (Jaime Lopes Dias, Etnografia da Beira, v. III, 158, Lisboa, 1929).
João Alfredo de Freitas diz: "Há uns dias durante o ano, a que chamam aziagos, que trazem sempre um desastre para os pobres viventes. É nesses dias que se soltam as almas. Elas, as prisioneiras que passam a vida tristonha e macambúzia, sentem o maior dos prazeres, em verem-se livres um momento. Um milhão de idéias invadem-lhe o crânio e, então, quantas pilhérias não imaginam fazer aos habitantes do nosso planeta, que as temem em excesso?".
Ora, o 24 de agosto ficou conhecido mundialmente como o dia em que os católicos assassinaram covardemente milhares de protestantes na noite que ficou conhecida como a "Noite de São Bartolomeu". E é por causa dessa crença no dia mais aziago (azarento, funesto) do ano que muitos seguidores das religiões africanistas definiram como sendo o dia de Exu Tranca Ruas das Almas, já que preconceituosamente, o Exu africano foi associado ao Diabo das crenças cristãs. E,assim, o mês inteiro foi consagrado a Exu, como se esse Orixá Africano fosse o próprio "Coisa-Ruim".
Pois bem, a verdade é que Exu não é o diabo e não se presta à prática do mal, como muitos erroneamente acreditam e divulgam. Exu é combatente do mal. É ele quem tem a incumbência de proteger os homens das investidas malfazejas de espíritos atrasados, enfermiços e que se comprazem no mal. Sendo um soldado da Lei, é ele quem tem a tarefa de executar a Lei Cármica naqueles que a infringem sob o seu livre-arbítrio.
É com esse propósito de aniquilar as forças do mal que os umbandistas oferendam a Exu nos pontos de força exatamente no mês de agosto.

(Baseado em CASCUDO, Luís da Câmara, Dicionário do folclore brasileiro e MOTA, Leonardo, Violeiros do norte)

Você Sabia...?

Você sabia...

Que a Umbanda é uma religião surgida no Brasil, no início do Século XX, e os primeiros registros históricos informam que isto aconteceu numa sessão espírita?

Que o médium Zélio Fernandino de Moraes recebeu a incorporação de um Espírito que se identificou com o nome de "Caboclo das Sete Encruzilhadas"?

Que o Caboclo das Sete Encruzilhadas, anunciador da Religião de Umbanda, determinou que nos cultos umbandistas não deveria existir o sacrifício de animais e que as vestes ritualísticas dos seus seguidores deveriam ser brancas?

Que dentro da Religião de Umbanda há inúmeras correntes de pensamentos diversificando assim os rituais e as formas de Culto, porém mantendo a essência dos seus fundamentos?

Que no dia 16 de maio de 2012, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.644, a qual institui o Dia Nacional da Umbanda, a ser comemorado todo dia 15 de novembro a partir do ano de 2012?

Exu... Nem Anjo, Nem Demônio.

Exu é um dos grandes pontos de conflito nas religiões de raíz africana com relação às outras religiões, por falta de entendimento, pela ignorância e pelo preconceito.
Muitos acreditam que os Exus são Demônios, maus, ruins, perversos, que bebem sangue e se regozijam com as desgraças que podem provocar (Stephen King perto deles é um pobre inocente).
É necessário entender que no sincretismo afro-católico (imposto num processo de aculturação dos negros pelos padres católicos) os Orixás foram associados a Santos Católicos, inclusive Exu (Bará), que é representado por Santo Antônio. Mas, porquê este Orixá, irmão de Ogum - conforme a tradição africana, animado, gozador, alegre, extrovertido, sincero e sobretudo amigo, foi comparado ao Diabo das profundezas dos infernos?
Esta história tem origem há 6.000 anos, na Mesopotâmia.
Na Mesopotâmia os males da vida que não constituíssem catástrofes naturais eram atribuídos aos Demônios (até hoje essa crença permanece...).
Os Sacerdotes , para combater as forças do mal, tinham que conhecer o nome dos Demônios e faziam enormes listas quase intermináveis. O Demônio mau era conhecido genericamente como UTUKKU . O grupo de sete Demônios maus é com frequência encontrado em encantamentos antigos. Se dividiam em machos e fêmeas. Tinham a forma de meio-humano e meio-animal: Cabeça e tronco de homem ou mulher, cintura e pernas de cabra e garras nas mãos. Tinham sede de sangue, de preferência humano, mas, aceitavam de outros animais. Os Demônios frequentavam os túmulos, caminhos (encruzas), lugares ermos e desertos, especialmente à noite.
Nem todos eram maus, haviam os Demônios bons que eram evocados para combater os maus. Demônios benignos eram representados como Gênios Guardiões, em número de sete, que guardavam as porteiras, portas dos templos, cemitérios, encruzas, casas e palácios.
A Demonologia Mesopotâmica influenciou diversos povos: Hebreus, Gregos, Romanos, Cristãos e outros. Sobrevive até hoje nos rituais Satânicos espalhados pelo mundo.
No Brasil, no período colonial, os negros africanos dançavam e, em transe, assustavam os brancos que se afastavam ou agrediam os negros escravos dizendo que eles estavam possuídos por Demônios.
Com o passar do tempo, os brancos tomaram conhecimento dos sacrifícios que os negros ofereciam aos Exus, e isto reafirmou a idéia de que eles estavam "possuídos por demônios".
As cores ritualística de Exu (vermelho e preto), também reafirmaram os medos e a fascinação que rondavam as pessoas mais sensíveis.
Assim, o que aconteceu foi uma associação indevida, maldosa, dos demônios Judaico-Cristãos aos Exus da Quimbanda, e ainda ao Orixá Exu (Bará), simplesmente por similaridades em relação a cores, moradas, manifestação de personalidade, etc. Com o tempo, isto foi caindo no gosto popular, na psique de pessoas mentalmente e espiritualmente perturbadas e começou a se construir "a visão", de que Exu é o Demônio.
Muitos médiuns despreparados e anímicos, ou perturbados mental e espiritualmente, recebiam Exus que diziam-se Demônios. Nessa onda de terror, ou de horror, alguns autores Umbandistas do passado, por falta de conhecimento ou por ignorância, fizeram tabelas de "nomes cabalísticos dos diabos" associando esses nomes aos Exus de Quimbanda.
Comerciantes inescrupulosos ou, simplesmente, ignorantes, criaram imagens de Exus com aparência de Demônios, cada vez mais medonhos e aterradores (chifres, rabos, partes de animais... ) construindo no imaginário de muitos médiuns e da população brasileira o estereótipo de Exu = Diabo, Exu = Satanás, Exu = Coisa Ruim.
Hoje em dia, as casas Africanistas (centros, terreiros, tendas...) estão abolindo essas imagens e condenando o seu uso devido aos estudos, pelo conhecimento e pela orientação dos reais Exus. Porém, o mal foi feito, o estereótipo atingiu a psique das mentes mais fracas e, muitas vezes, vemos em certos canais de televisão, a invocação dessas aberrações e a indevida associação aos Exus de Quimbanda. O que podemos dizer é que quem invoca a Deus, Deus o tem. Quem invoca o Diabo, o Diabo o tem.
Algumas correntes religiosas estão alimentando na população a visão de que a culpa para as mazelas de suas vidas são os Exus (ou, como dizem, o Diabo), os quais se manifestam babando, com as mãos tortas, grunhindo, gritando "vou levar! vou levar...!!!", todos tortos e formatados dentro de um psique moldado e caricato.
Essas religiões estão alimentando o medo, a ignorância, o preconceito, a discriminação e a ilusão de que a dor alheia é aplicada pelas religiões africanas e pelos seus Guias, principalmente os Exus.
Exu combate o mal. É um executor da Lei, é justo, tem tranquilidade em suas decisões e em seus trabalhos. Ele não é, e nunca foi o Diabo... Nem tampouco Anjo.

Post baseado no texto de Pai Guilherme d'Bará, originalmente publicado no Blog Abassá Babá Oke Bará Lanã