domingo, 10 de junho de 2012

O Contato Com os Espíritos

Foi a partir do contato realizado por Espíritos desencarnados através da mediunidade de um jovem chamado Zélio de Moraes que surgiu, em 1908, a Religião de Umbanda. Esse contato, acontecido de forma surpreendente e inusitada, fez a vida de toda uma família mudar. Ao mesmo tempo, o afloramento da mediunidade de Zélio proporcionou a milhares de outras pessoas a oportunidade de encontrar um caminho espiritual na busca do Divino. A Umbanda nasceu ou, como dizem alguns, foi anunciada através da manifestação mediúnica do Espírito que se identificou como um “caboclo” das terras brasileiras. É bem verdade que manifestações do tipo ocorrido com Zélio já aconteciam no Brasil, mas a que configurou como sendo o marco inicial da Umbanda ganhou projeção e espalhou-se com rapidez entre as pessoas estupefatas. Fato que acontecia com cautela somente em sessões particulares dos centros espíritas recém-inaugurados passou a ser comum aos olhos do povo e ficou classificado como o fenômeno da incorporação.
A Incorporação, assim chamada na Umbanda, é uma modalidade mediúnica conhecida entre os estudiosos do Espiritismo pelo nome de Psicofonia: a mediunidade em que o médium fala pela influência dos Espíritos. Pela forma como acontece, quando então o Espírito dá a impressão de ter se apossado do corpo do médium, esse tipo recebeu o nome de Incorporação. Na verdade, o Espírito não “entra” no corpo do encarnado como parece, mas estabelece uma forte ligação energética e mental com o medianeiro e este, sob sua influência, fala, gesticula, dança e anda. Antes mesmo de ser levado pelos parentes ao centro espírita, Zélio apresentou os primeiros sintomas de mediunidade dessa forma.
Nos dias que antecederam o anúncio da nova religião, o médium de 17 anos portou-se de forma estranha. Algumas vezes encurvava-se e apresentava aparência de um idoso e em outras assumia o aspecto de um homem vigoroso e sisudo. Falava numa língua desconhecida e demonstrava um semblante diferente do habitual. E assim aconteceu até que finalmente abriu os lábios e, com espantosa entrega à força espiritual, revelou a verdadeira intenção dos Caboclos de Aruanda.
Desde então, o contato direto com os Espíritos e a Incorporação estabeleceram-se como sendo uma premissa na Religião de Umbanda. Os curiosos correm aos centros para testemunharem a manifestação e ficam se perguntando para onde terá ido o espírito do médium. Outros, ávidos por obter informações relacionadas ao amor, ao futuro e aos negócios, aproximam-se de alguma Entidade manifestada no médium e travam um interrogatório pouco proveitoso. Outros mais, de maneira piedosa e sincera, recebem passes, curas e orientações acerca da vida espiritual através de um Caboclo ou de um Preto Velho. De qualquer forma, na Religião de Umbanda, os Espíritos encarnados e desencarnados interagem e se comunicam abertamente, fortalecendo a crença de que na verdade ninguém morre, mas apenas passa de uma condição a outra naturalmente.
O contato natural, a comunicação com o mundo espiritual e a interação entre encarnados e desencarnados sempre foi uma busca dos homens. Há muito que as pessoas têm vontade de desvendar os mistérios que rondam o “outro lado da vida”. Desde os primeiros registros da História humana, essa aproximação mais efetiva entre os “dois mundos” foi pretendida, tanto pelos encarnados, quanto pelos Espíritos daqueles que partiram antes dos seus parentes e amigos.
Embora vista com assombro por muitas pessoas, a tentativa de comunicação dos Espíritos ocorreu e ficou registrada em muitos episódios da História. No dia-a-dia, esse contato ocorre imperceptível. Quer seja através de uma simples inspiração ou por meio de um sinal, visto por todos como “um aviso”. Grande parte dos sonhos tem um fundo espiritual. Durante o sono, os Espíritos desencarnados têm a chance de unirem-se aos encarnados em diálogos salutares a ambos.

Julio Cezar Gomes Pinto

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