domingo, 10 de junho de 2012

Introdução ao Estudo da Mediunidade

Médium é o termo utilizado em grande escala, a partir da codificação do Espiritismo, para designar os Espíritos encarnados que têm a faculdade inata de entrar em contato com o Mundo Espiritual e dali tirar impressões. A palavra, de origem latina, significa “medianeiro, ou aquele que está no meio”. Médium é aquele ser vivente que, por evocações ou independente disso, pode contatar os Espíritos desencarnados e com eles estabelecer conversações ou outros tipos de interação. Outrora chamados de videntes, profetas, bruxos e benzedeiros, os médiuns eram vistos como homens especiais, dotados de grande poder ou sabedoria que sempre tinha origem divina. Em algumas épocas foram fortemente combatidos e perseguidos por possuírem um dom que não era comum às outras pessoas. Muitos foram queimados vivos, crucificados ou esquartejados por uma mediunidade que era vista como oriunda das trevas e dos seres que lá habitam. Em outros tempos foram muito bem quistos e respeitados pela sociedade da época, considerados pelos seus como homens especiais, missionários ou mensageiros dos deuses.

Embora os médiuns sejam vistos por muitos como seres especiais, na verdade são pessoas comuns, desprovidos de qualquer sinal exterior de sua faculdade. Alguns médiuns, entretanto, desconhecedores de seu verdadeiro papel na sociedade, consideram-se realmente maravilhosos e supremos diante dos outros. Estes, na verdade, desconhecem a grande oportunidade que os Céus outorgaram-lhes para servirem de instrumentos importantes à evolução dos demais, e da própria, uma vez que podem ser úteis nas mãos dos Espíritos de Luz, que na Umbanda são chamados de Caboclos ou Pretos Velhos de Aruanda.
Os médiuns que se destacaram a partir do surgimento do Espiritismo foram alvos de grande especulação. Uns foram considerados charlatães, outros alcançaram grande destaque na mídia e alguns sucumbiram aos interesses materiais. Foram estudados e analisados por céticos que não compreenderam a natureza deste dom. Observados preconceituosamente por algumas religiões, os médiuns tiveram suas entranhas esquadrinhadas e seus cérebros verificados à luz da Ciência. Há quem diga que o dom mediúnico tem origem na glândula pineal, que supostamente teria uma função diferente da daqueles que não demonstram qualquer sinal de mediunidade.
Ao possuir um dom tão importante ao crescimento espiritual da humanidade, faz-se necessário que o médium de Umbanda seja uma pessoa voltada à meditação, ao aprimoramento interior e ao bem comum da comunidade ao redor. Tornando-se um bom instrumento nas mãos dos Espíritos de Luz, ou Superiores, pode alavancar o progresso da humanidade. O contrário se dá quando o médium, relapso e desregrado, alheio às mensagens evangélicas do Cristo Jesus, de ouvidos tampados à voz dos Grandes Guias Espirituais ou voltados a práticas e vícios puramente materiais, pode transformar-se em presa fácil de Espíritos inferiores, trevosos e obsessores, que vêem nele ótimo meio de satisfação ou fonte de energia animal. Assim sendo, a mediunidade tende a ser, ao mesmo tempo, um grande presente ou uma gigantesca armadilha. Mediunidade exercida de forma irresponsável é doença que arremessa o Espírito aos escuros leitos da superstição, do fanatismo e da loucura.
O médium de Umbanda deve ser um estudioso das coisas espirituais, já que o dom que possui abre-lhe numerosas oportunidades de estar em sintonia com os seres habitantes do Plano Espiritual. Os estudos contínuos, a compreensão sincera de suas faculdades e o real conhecimento da dádiva recebida, transformam-no, ainda que imperfeito, em sonoro porta-voz de Aruanda.
Os Caboclos de Aruanda são humildes, serenos e aguerridos trabalhadores da Caridade. Assim deve ser o Médium da Religião de Umbanda. A vaidade, a soberba, a ganância e o orgulho, prejudiciais defeitos de caráter, devem ser banidos do comportamento de qualquer médium de Umbanda.

Julio Cezar Gomes Pinto

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