domingo, 10 de junho de 2012

Deus, o Divino Criador

A noção da existência de um Ser Superior é algo inato na espécie humana. Desde os primórdios, o homem já concebia a idéia de Alguém ou alguma “Coisa” maior do que ele mesmo. E nisso sempre tiveram razão, pois o ser humano é uma criatura que surgiu da vontade desse Ser Superior.

Deus é a fonte primordial de todos os eventos criadores. Já foi descrito como o Supremo Criador; o Incriado; o Princípio, o Meio e o Fim; o Senhor; o Deus dos Exércitos; o Pai; ou simplesmente Deus!
“Deus, ou Zambi, ou Olorum, ou Tupã, é para os umbandistas o princípio dos princípios; o mistério de todos os mistérios; o Pai de todos os pais; o Divino Criador!” (1)
“Por princípio dos princípios entendemos que tudo tem origem n’Ele e que fora d’Ele nada existe. E, como do nada coisa alguma deriva, então todos os princípios surgem a partir d’Ele, que é a origem de todos eles.”(1)
Podemos tomar como exemplos de princípios a evolução, a reprodução, a ordem, etc. Todos esses princípios estão em Deus. Tiveram origem n’Ele, estão em tudo o que ele criou e pode ser identificado como princípios. Por ser Deus eterno, também são eternos e imutáveis os seus princípios. Nada pode mudar aquilo que é princípio divino.
A ordem é um princípio que torna perfeitas todas as coisas criadas por Deus. É por força desse princípio que os astros permanecem numa órbita imutável e perene. Os homens, suas criaturas, não podem alterar tal coisa e, por mais que se esforcem, não conseguirão criar algo semelhante.
“Deus é único, e o que Ele gera, o faz por meio de processos específicos e que só servem para cada uma das espécies que gera. Logo, cada coisa gerada por Ele tem sua gênese específica que, no entanto, é reprodutora e multiplicadora...” (2). No DNA humano está configurada essa gênese da espécie humana. Pode haver alterações no DNA, mas ele continuará perpetuando a espécie, e mais seres humanos continuarão sendo gerados através desse complexo processo da Criação. Por isso, ao contrário do que dizem alguns pesquisadores teóricos, jamais uma espécie gerará outra diferente da própria. Jamais um quadrúpede poderá gerar um ser humano e vice-versa, e jamais uma árvore terá condições de gerar uma pedra.
“... Deus é infinito em si mesmo e tudo o que gera, gera infinitamente, pois após o início de uma geração, esta traz em si o meio de reproduzir-se e de multiplicar a sua espécie inicial e original que a distingue como mais uma geração d’Ele” (2). O fato de ser Deus infinito é o que torna infinito o Espírito humano, pois jamais terá fim aquilo que é uma porção de Deus. Assim sendo, cai por terra toda doutrina de que Deus enviará para a destruição eterna os Espíritos que erraram nessa ou em outra vida.
Essa idéia de que Deus está em tudo o que Ele criou não quer dizer que toda a criação é por isto mesmo também Deus. Deus não é a criatura que foi gerada por Ele, mas as criaturas compartilham em graus mais ou menos elevados uma porção de Sua Presença e dos seus princípios. O salmista Davi já percebia isto quando dizia que é impossível fugir de Deus, pois onde quer que se vá, lá está o Criador (3).
Pelo fato de se perceber Deus em toda a criação é que os homens acreditavam que tudo em a Natureza era Deus. Da mesma forma, os princípios de Deus também estão presentes na Natureza, como o Princípio da Reprodução. Isto confundia ainda mais os homens da antiguidade, pois eles achavam que pelo simples fato de reproduzirem constantemente os fenômenos até então inexplicáveis, as forças da Natureza eram deuses.


(1) SARACENI, Rubens. Deus. In: Tratado Geral de Umbanda, São Paulo; Madras, 2005; p. 13.

(2) SARACENI, Rubens. Divindades; Introdução da Gênese e Fatores. In: Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, São Paulo; Madras, 2005; p. 49-53; 73.

(3) ALMEIDA, João Ferreira de. Salmo 139. In: Bíblia Sagrada. São Paulo; Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.

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