domingo, 10 de junho de 2012

As Linhas de Trabalho

"Os Espíritos têm muitas vias evolutivas à disposição e seguem aquela que se mostra mais afim com suas naturezas íntimas e suas expectativas sobre seus futuros.
Entre estas vias, algumas são tão atrativas que se tornam "religiões" aqui no plano material.
A Umbanda Sagrada é uma dessa vias evolutivas, pois a quantidade de espíritos que afluem para ela é tão grande que foi preciso criar linhas ou correntes espirituais para acomodar tantos espíritos ávidos por manifestarem-se por intermédio da incorporação mediúnica.
Essas linhas cresceram tanto que formaram hierarquias, todas pontificadas por espíritos mentores de Umbanda.
Elas têm nomes simbólicos, sempre associados aos elementos da natureza, aos vegetais, aos animais, às cores, etc.
Entre tantos espíritos destacamos os que denominamos "guias de lei" (...), Espíritos que já se assentaram à direita e à esquerda dos Sagrados Orixás e os servem religiosa e magisticamente, sempre trabalhando em benefício da evolução da humanidade, tanto dos espíritos encarnados quanto dos desencarnados.
(...) Trabalham como agentes da Lei Maior e da Justiça Divina e atuam como transmutadores carmáticos, como refreadores das investidas de espíritos trevosos, como anuladores de magias negativas e como atratores naturais de espíritos menos evoluídos ou ainda inconscientes da grandeza da obra divina existente dentro no nosso planeta, e que não se limita só à dimensão espiritual. (1)"
"A Umbanda é uma religião aberta a todos os espíritos, tanto encarnados quanto desencarnados. Para ela afluem milhões de espíritos de todo o planeta, oriundos das mais diversas religiões e rituais místicos, mesmo de religiões já extintas, tal como a caldéia, a sumeriana, a persa, a grega, as religiões européias, caucasianas e asiáticas.

O Ritual Africano entrou com as suas linhas de forças atuantes, e os ameríndios, tais como índios brasileiros, os incas, os astecas e maias e os norte-americanos entraram por terem sido extintos, ou por estarem em fase de extinção e não quererem deixar perder o saber acumulado nos milênios em que viveram em contato com a Natureza (1)."
"Por isso, tanto os negros africanos como os índios já desencarnados se uniram à Linha do Oriente e fundaram o Movimento Umbandista ou Ritual de Umbanda, o culto às forças puras da Natureza como manifestação do Todo-Poderoso.
Cada um entra com o seu saber, poder e magia, mas todos seguem as mesmas ordens de trabalho. Podem sofrer pequenas variações, mas a essência permanece a mesma. A variante que se adaptar melhor irá predominar no futuro. Por enquanto, a Umbanda é um laboratório religioso para experiências espirituais (1)."
 
"Por ser um ritual de ação positiva sobre a humanidade, (a Umbanda) atrai milhões de espíritos sedentos de ação em benefício dos semelhantes. Milhões deles já foram doutrinados e anseiam por uma oportunidade de comunicação oracular com o nosso plano. Todos têm algo a nos ensinar e falta-lhes a oportunidade.
Não se incomodam em se manifestar em templos humildes, cômodos pequenos, à beira-mar, nas matas, nas cachoeiras, ou mesmo numa reunião familiar. Estão sempre dispostos a nos ouvir e a ensinar. Sempre solícitos e pacientes, não se incomodam com a nossa ignorância a respeito dos mistérios sagrados.
Têm um saber muito grande, mas conseguem comunicar-se de uma forma simples. Têm o saber que nos falta e a paciência com nossos erros que os encarnados não têm. São maravilhosos pela simplicidade que nos passam; substituíram os sacerdotes dos rituais da Natureza com perfeição.

As Linhas de Trabalho obedecem a irradiações divinas, mas são regidas pelos Orixás Intermediadores (os que estão mais próximos de nós).
As Linhas de Trabalho são atratoras dos espíritos que buscam uma oportunidade de evolução dentro da religião.
Quando um guia se apresenta como um Caboclo de Ogum, é porque ele foi absorvido pela Lei Maior, foi incorporado à hierarquia do Orixá Ogum, desenvolveu em si uma das qualidades desse Orixá e atua regido pelo fator ordenador da criação divina.
Encontramos nos nomes simbólicos dos Guias de Lei sua qualidade e sua qualificação ou campo de atuação.Temos Caboclos de Oxalá, Oxóssi, Xangô, Ogum, Iemanjá, Iansã, etc.
Por exemplo, o Caboclo Sete Espadas é um Caboclo de Ogum, ordenador nos sete sentidos da vida ou nos sete campos de ação de Ogum, já o Caboclo Sete Flechas, é um Caboclo de Oxóssi, que atua nos campos de Iansã, e assim por diante.
Símbolos, cores, sentidos e nomes afins com divindades sincretizadas são usados e podem ser intrerpretados por analogia ou comparação (1)."
 
 
(1) "As Sete Linhas de Umbanda - A Religião dos Mistérios", págs.139-151 - Rubens Saraceni; Ed. Madras, 2003.

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