sábado, 26 de novembro de 2011

Linha da Razão - Xangô

"Xangô é um Orixá bastante popular no Brasil e, às vezes, confundido como um Orixá com especial ascendência sobre os demais, em termos hierárquicos. Essa confusão acontece por dois motivos: em primeiro lugar, Xangô é miticamente um rei, alguém que cuida da administração, do poder e, principalmente, da justiça - representa a autoridade constituída no panteão africano. Ao mesmo tempo, há no Norte do Brasil diversos cultos que atendem pelo nome de Xangô. No Nordeste, mais especificamente em Pernambuco e Alagoas, a prática do Candomblé recebeu o nome genérico de Xangô, talvez porque naquelas regiões existissem muitos filhos de Xangô entre os negros que vieram trazidos da África. Na mesma linha de uso impróprio, pode-se encontrar a expressão Xangô de Caboclo, que se refere obviamente a um culto sincretizando influências do culto original com cerimônias e mitos dos indígenas da região, também chamado de Candomblé de Caboclo.
Na mitologia, é atribuído a Xangô (enquanto homem, ser histórico) o reinado sobre a cidade-estado de Oyó, posto que conseguiu após destronar o próprio meio-irmão Dada-Ajaká com um golpe militar. Por isso, sempre existe uma aura de seriedade e de autoridade quando alguém se refere a Xangô.
Xangô é pesado, íntegro, indivisível, irremovível; com tudo isso, é evidente que um certo autoritarismo faça parte da sua figura e das lendas sobre suas determinações e desígnios, coisa que não é questionada pela maior parte de seus filhos, quando inquiridos.
Suas decisões são sempre consideradas sábias, ponderadas, hábeis e corretas. Ele é o Orixá que decide sobre o bem e o mal. Ele é o Orixá do raio e do trovão. Miticamente, o raio é uma de suas armas, que ele envia como castigo. Ninguém, porém, deve temer sua cólera como uma manifestação irracional.
Xangô tem a fama de agir com neutralidade. Seu raio e eventual castigo são o resultado de um quase proceso judicial, onde todos os prós e contras foram pensados e pesados exaustivamente - a famosa balança da justiça.
O símbolo de seu Axé é uma espécie de machado estilizado com duas lâminas, que indica o poder de Xangô, corta em duas direções opostas. O administrador da justiça nunca poderia olhar apenas para um lado, defender os interesses de um mesmo ponto de vista sempre.
Segundo Pierre Verger, esse símbolo se aproxima demais do símbolo de Zeus encontrado em Creta. Pierre Verger especifica que esse oxé parece ser a estilização de um personagem carregando o fogo sobre a cabeça; este fogo é, ao mesmo tempo, o duplo machado, e lembra, de certa forma a cerimônia de Candomblé chamada ajerê, na qual os iniciados de Xangô devem carregar na cabeça uma jarra cheia de furos, dentro da qual queima um fogo vivo, demonstrando através dessa prova, que o transe não é simulado." (1)


O Trono da Justiça de Deus
Rubens Saraceni explica que Olorum (o Criador) gerou na "Sua qualidade equilibradora de tudo e de todos uma divindade que é em si mesma o Equilíbrio Divino que dá sustentação a tudo o que existe, tanto animado quanto inanimado, surgindo o Trono da Justiça Divina, Divindade unigênita porque é o Orixá do equilíbrio, da razão e do Juízo Divino.
Xangô, por ser unigênito e ter sido gerado em Deus, é em si mesmo a Justiça Divina que purifica nossos sentimentos com sua irradiação incandescente, abrasadora e consumidora das emotividades.
Mas Xangô, como Qualidade Divina, está na própria gênese das coisas como força coesiva que dá sustentação à forma que cada agregado assume, ou seja, ele está na natureza das coisas como o próprio equilíbrio, pois só assim elas não deixam de ser como são. Ele tanto é o ponto de equilíbrio que dá sustentação à estrutura de um átomo como é a força que dá estabilidade ao universo e a tudo o que nele existe, seja animado, seja inanimado.
Xangô também gera em si a qualidade em que foi gerado. Mas ele também gera de si essa qualidade equilibradora e a transmite a tudo e a todos.
Quem absorvê-la torna-se racional, ajuizado e ótimo equilibrador, tanto dos que vivem à sua volta como do próprio meio em que vive. Um juiz é um exemplo bem característico dessa qualidade equilibradora irradiada por Xangô, e não importa que o juiz seja um "filho" de outro Orixá, pois a manifestará naturalmente, já que a justiça humana é a concretização da Justiça Divina no plano material.
(...) Essa qualidade equilibradora está presente em todos os processos Divinos (criação e geração).
Com isto explicado, podemos entender a importância que tem essa Qualidade Divina, que na Umbanda a vemos nos procedimentos retos, justos e ajuizados dos caboclos de Xangô. Por isso, quando evocamos a presença dele, só o fazemos se for para devolver o equilíbrio e a razão aos seres e procedimentos desequilibrados e emocionados, ou para clamar pela Justiça Divina, que atuará em nossa vida anulando demandas cármicas, magias negras, etc., devolvendo-nos a paz, a harmonia e o equilíbrio mental, emocional, racional e até nossa saúde, pois, para estarmos saudáveis devemos estar em equilíbrio vibratório também no corpo físico." (2)


Xangô, segundo a Crença Africana
"Obá é a palavra da língua iorubá que designa rei (não confundir Obá (oba), com o Orixá Obá (Òbà), que é uma das esposas de Xangô). Segundo a mitologia, Xangô teria sido o quarto rei da cidade de Oyó, que foi o mais poderoso dos impérios iorubás. Depois de sua morte, Xangô foi divinizado, como era comum acontecer com os grandes reis e heróis daquele tempo e lugar, e seu culto passou a ser o mais importante da sua cidade, a ponto de o rei de Oyó, a partir daí, ser o seu primeiro sacerdote.
Não existem registros históricos da vida de Xangô na Terra, pois os povos africanos tradicionais não conheciam a escrita, mas o conhecimento do passado pode ser buscado nos mitos, transmitidos oralmente de geração a geração. Assim, a mitologia nos conta a história de Xangô, que começa com o surgimento dos povos iorubás e sua primeira capital, Ilê-Ifé, fala da fundação de Oyó e narra os momentos cruciais da vida de Xangô.
"No seu auge, o império de Oyó englobava as mais importantes cidades do mundo iorubá, tendo assim o culto a Xangô, que era o orixá do rei ou obá de Oyó, portanto o orixá do império, sido difundido por todo o território iorubano, o que não era muito comum, pois cada cidade ou região tinha os seus próprios orixás tutelares e poucos eram os que recebiam culto nas mais diversas cidades, como Exu, Ossaim e Orunmilá. O fato é que o apogeu da dominação da cidade de Oyó sobre as outras resultou numa grande difusão do culto a Xangô. Durante muito tempo a força militar de Oyó protegeu os iorubás de invasões inimigas e impediu que seu povo fosse caçado e vendido por outros africanos ao tráfico de escravos destinados ao Novo Mundo, como acontecia com outros povos da África." (3)
"Quando o poderio de Oyó foi destruído o final do século XVIII por seus inimigos, tanto a capital como as demais cidades do império desmantelado ficaram totalmente desprotegidas, e os povos iorubás se transformaram em caça fácil para o mercado de escravos. Foi nessa época que o Brasil, assim como outros países americanos, passou a receber escravos iorubás em grande quantidade. Vinham de diferentes cidades, traziam diferentes deuses, falavam dialetos distintos, mas tinham todos algo em comum: o culto ao deus do trovão, o obá de Oyó, o Orixá Xangô." (3)

Lendas Africanas
"Xangô vivia em seu reino com suas 3 mulheres - Iansã, Oxum e Obá -, muitos servos, exércitos, gado e riquezas. Certo dia, ele subiu num morro próximo, junto com Iansã; ele queria testar um feitiço que inventara para lançar raios muito fortes. Quando recitou a fórmula, ouviu-se uma série de estrondos e muitos raios riscaram océu. Quando tudo se acalmou, Xangô olhou em direção à cidade e viu que seu palácio fora atingido. Ele e Iansã correram para lá e viram que não havia sobrado nada nem ninguém. Desesperado, Xangô bateu com os pés no chão e afundou pela terra; Iansã o imitou.
Oxum e Obá viraram rios e os 4 se tornaram Orixás." (4)

"Quando Xangô pediu Oxum em casamento, ela disse que aceitaria com a condição de que ele levasse o pai dela, Oxalá, nas costas para que ele, já muito velho, pudesse assistir ao casamento. Xangô prometeu que depois do casamento carregaria o pai dela no pescoço pelo resto da vida; e os dois se casaram. Então, Xangô arranjou uma porção de contas vermelhas e outra de contas brancas, e fez um colar com as duas misturadas.
Colocando-o no pescoço, foi dizer a Oxum: " - Veja, eu já cumpri minha promessa. As contas vermelhas são minhas e as brancas, de seu pai; agora eu o carrego no pescoço para sempre." (4)

Oferendas
As oferendas para Xangô devem ser depositadas aos pés de uma montanha, pedreira ou uma cachoeira, sempre enriquecidas com velas brancas, vermelhas ou marrons e adornadas preferencialmente com lírios amarelos, brancos ou flores diversas. (2)
Compõem ainda as oferendas a cerveja escura, vinho tinto doce e licor de ambrósia. Aos caboclos de Xangô é importante que se oferende também charutos de boa qualidade.


(1) - Site www.umbandaracional.com.br;
(2) - Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, Rubens Saraceni - Editora Madras, 2005;
(3) - Página Pessoal de Reginaldo Prandi (Professor Titular de Sociologia da USP);
(4) - Site Pallas Editora

Linha da Geração - Iemanjá

Muitas são as formas de cultuar esse Orixá tão querido no meio umbandista. Muitos são os que têm verdadeiro fascínio por Iemanjá e não limitam esforços para realizarem oferendas com champanhe, rosas, espelhos, pentes e perfumes nas praias brasileiras. Não há motivo para apontar essa ou aquela maneira como sendo a correta forma de culto. Da mesma maneira como existem centenas de Orixás na África, diversas são as formas de veneração da Rainha das Águas.
No livro "O Código de Umbanda", do escritor e teólogo umbandista Rubens Saraceni, há uma definição muito precisa da atuação de Iemanjá na vida dos homens e de toda a criação. Segundo Saraceni, "Yemanjá é o Trono Feminino da Geração e seu campo preferencial de atuação é no amparo à maternidade." Isto concorda inclusive com a crença africana que diz que Iemanjá é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento do nascimento, dando-lhes sustentação para a nova vida que surge diante deles.
Iemanjá é provavelmente um dos Orixás mais cultuados pelos umbandistas, ao lado de Ogum, Oxossi e Xangô, principalmente nos lugares onde as Tendas de Umbanda são próximas do mar. Iemanjá é considerada na Umbanda, e também nos cultos de origem africana, a Rainha das Águas, a Mãe Sereia, a Mãe D`Água. É ela que, segundo as lendas africanas, é a mãe dos demais Orixás e aquela que governa as águas dos mares e dos oceanos.
Nas cidades litorâneas, Iemanjá é cultuada no dia 31 de dezembro, quando então milhares de umbandistas e simpatizantes do Ritual reúnem-se à beira-mar para se despedirem do ano que passou e saudar a chegada do Ano Novo. Na Bahia, é cultuada no dia 2 de fevereiro, data em que se homenageia a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes.
Da mesma forma como os demais Orixás do panteão africano, Iemanjá também foi incorporada ao Ritual de Umbanda Sagrada, sendo um dos nomes mais respeitados e reverenciados dentro dos terreiros de Umbanda. A palavra Yemanjá é do Yorubá e significa "mãe dos filhos-peixe", e em alguns Estados ela foi sincretizada nos altares umbandistas com a santa católica Nossa Senhora das Graças, em outros com Nossa Senhora da Glória e ainda Nossa Senhora dos Navegantes.
Saraceni explica mais: "O fato é que o Trono Essencial da Geração assentado na Coroa Divina projeta-se e faz surgir, na Umbanda, a linha da Geração, em cujo pólo magnético está assentada o Orixá Natural Yemanjá e em cujo pólo negativo está assentado o Orixá Omulu."
"Yemanjá, a nossa amada Mãe da Vida é a água que vivifica e o nosso amado pai Omulu é a terra que amolda os viventes..."
"Yemanjá rege sobre a geração e simboliza a maternidade, o amparo materno, a mãe propriamente..."
A ligação de Iemanjá com as águas vai muito além daquilo que as lendas africanas retratam. Os iorubás, através das histórias fantásticas e cheias de simbologia, apontavam para uma das qualidades divinas do Divino Criador. Sem termos suficientes para a época que pudessem expressar toda a ciência que estava por trás das figuras dos Orixás, os iorubás prestavam o culto a Iemanjá e faziam os seus arquétipos sem muita preocupação com o fantasioso e o exagerado. Eram questões de fé, pertencentes exclusivamente aos povos africanos e agora também aos seguidores dos Cultos de Nação.
A simbologia contida na água pode-se verificar até mesmo nos escritos bíblicos. No livro de Gênesis, vê-se a descrição de como Deus retirou das águas a terra seca e fez a separação entre um e outro elemento. Antes da criação da terra seca, o "...Espírito de Deus pairava sobre as águas." A Criação, segundo a Bíblia, teve início nas águas da mesma forma como as lendas africanas retratam Iemanjá e o surgimento dos mares e dos oceanos.


Iemanjá, Segundo a Crença Africana
Seu nome significa Mãe dos Filhos-Peixes. Originária do rio Ogun, em Abeokutá, Nigéria, tem seus domínios nas profundezas das águas, de onde emerge para atender seus devotos, principalmente as mulheres que atribuem a ela poderes que favorecem a fertilidade e a fecundidade. É maternal, sempre pronta para amamentar as crianças sob seu domínio. Mas também sabe ser delicada, mantendo-se contudo pronta para defender seus filhos.
Os filhos de Yemanjá são pessoas autoritárias e persistentes em relação aos próprios filhos. São preocupados, responsáveis e decididos. São amigos e protetores e chegam, quando mulheres, a se comportarem como super-mães. São agressivos e até traiçoeiros, quando a segurança dos filhos e da família está em jogo. São faladores, não gostam da solidão.

Lendas Africanas

Conta uma lenda que Yemanjá, filha de Olokun, era casada com Olófim Oduduá com quem tinha dez filhos orixás. Por amamentá-los, ficou com os seios enormes. Impaciente e cansada de morar na cidade de Ifé, ela saiu em rumo oeste, e conheceu o rei Okerê; logo se apaixonaram e casaram-se. Envergonhada de seus seios, Yemanjá pediu ao esposo que nunca a ridicularizasse por isso. Ele concordou. Porém, um dia, embriagou-se e começou a gracejar sobre os enormes seios da esposa. Entristecida, Yemanjá fugiu.
Desde menina, trazia numa garrafa uma poção que o pai lhe dera para casos de perigo. Durante a fuga, Yemanjá caiu quebrando a garrafa. A poção transformou-a num rio cujo leito seguia em direção ao mar.
Ante o ocorrido, Okerê, que não queria perder a esposa, transformou-se numa montanha para barrar o curso das águas. Yemanjá pediu ajuda ao filho Xangô, e este, com um raio, partiu a montanha no meio. O rio seguiu para o oceano e, dessa forma, Yemanjá tornou-se a Rainha do Mar.

Conta outra lenda que Exu, filho de Yemanjá, se encantou por sua beleza e tomou-a à força, tentando violentá-la. Uma grande luta se deu, e bravamente Yemanjá resistiu à violência do filho que, na luta, dilacerou os seios da mãe. Enlouquecido e arrependido pelo que fez, Exu "caiu no mundo" desaparecendo no horizonte.
Caída ao chão, Yemanjá entre a dor, a vergonha, a tristeza e a pena que teve pela atitude do filho, pediu socorro ao pai Olokun e ao Criador Olorum. E, dos seus seios dilacerados, a água, salgada como a lágrima, foi saindo dando origem aos mares.
Exu, pela atitude má, foi banido para sempre da mesa dos Orixás.

Oferendas
As oferendas para Iemanjá devem ser depositadas sempre à beira-mar. O que não pode faltar são as flores, preferencialmente brancas. Rosas e palmas brancas, angélicas, orquídeas, crisântemos brancos e jasmim podem ser oferecidos a Iemanjá, acompanhados de champanhe, ou leite de côco, ou suco de uvas brancas. Como adorno, podem ser colocadas fitas brancas e azuis, acompanhadas de velas brancas, azuis ou rosas.
É possível também realizar oferendas com manjar de leite de côco, sem açúcar. Canjica branca cozida em água pura, e depois de escorrida, acrescentada com leite de côco em uma tigela branca, enriquecida com mel e uvas brancas por cima.
Outra oferenda pode ser feita com sagu e leite de côco ou tapioca com leite de côco.
As oferendas com comida geralmente são ímas de trabalho, com objetivos específicos que devem ser esclarecidos junto aos mentores espirituais, aos zeladores de Santo, ou Guias de um terreiro.

Linha do Conhecimento - Oxossi

Este Orixá, provavelmente o mais conhecido entre os Umbandistas, é o representante das forças das matas. É Oxossi quem cuida das plantas e dos animais silvestres. Através do sincretismo ficou conhecido também como São Sebastião, o santo católico que teve o corpo perfurado por flechas. O sincretismo com o santo deve-se ao fato de que os símbolos de Oxossi são o arco e a flecha, por isto, seu dia de culto é o dia 20 de janeiro.
Esta alusão às matas e aos vegetais, é devido à natureza expansiva de Oxossi. É o Orixá responsável pela conhecimento e pelo raciocínio.
As matas estão para Oxossi, assim como os rios estão para Oxum, e as águas do mar estão para Yemanjá.
A maior parte dos caboclos trabalham atualmente sob a irradiação de Oxossi, e isto tem razão de ser. A Umbanda é uma religião nova e precisa da irradiação de Oxossi para que possa expandir e tornar-se conhecida pelos homens. Assim como as flechas e lanças usadas pelos índios guerreiros e caboclos são atiradas e direcionadas para a frente, da mesma forma a irradiação de Oxossi faz com que o conhecimento sobre as coisas se processem.
Contemplar a figura de São Sebastião é, para os umbandistas, lembrar-se imediatamente de Oxossi. A razão está também no fato de ser a Umbanda uma religião que tem rituais de raízes indígenas. O arco e a flecha são instrumentos claramente indígenas e isto faz com que automaticamente a associação seja reita no mental dos homens.
Esta idéia não foi todavia em contraposição com o que a Ciência Divina pretendia ao instaurar a Umbanda nas terras brasileiras.
Oxossi é bastante cultuado no Brasil, ao contrário do que ocorre na Nigéria, onde teve origem seu culto. Porém, o culto a Oxossi foi difundido basicamente em Keto (terra dos panos vermelhos), e lá foi consagrado rei. No século XIX, devido ao
tráfico negreiro, a cidade de Keto foi praticamente destruída pelos ataques das tropas do rei Daomé. Os filhos consagrados a Oxossi foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas e Cuba.
"O Conhecimento é uma qualidade de Deus e Oxossi é sua divindade unigênita, pois ele é em si mesmo, o Conhecimento Divino que ensina a todos a conhecerem a si mesmos a partir do conhecimento sobre nosso Divino Criador.
Olorum gerou em Si o conhecimento sobre tudo o que criou, e porque tem conhecimento sobre toda a Sua criação, então o conhecimento assumiu a condição de uma qualidade Sua, à qual Ele imantou como um dos mistérios da criação, já que gera em Si o conhecimento e é em Si onisciente ou conhecedor de tudo e de todos.
Portanto, Oxossi rege sobre o conhecimento e irradia o tempo todo a todos, porque é em Si mesmo o Conhecimento Divino ou a onisciência de Deus." (1)
"(...) Seu magnetismo expande as faculdades dos seres, aguça o raciocínio e os predispõe a buscar a gênese das coisas (o conhecimento sobre elas). Logo, Oxossi é o estimulador natural dessa busca incessante sobre nossa própria origem Divina. E quanto mais sabemos sobre ela, maior é o nosso respeito para com a criação e mais sólida é nossa fé em Deus, pois passamos a encontrá-Lo em nós mesmos.
Então Oxossi está tanto na Natureza como nos conhecimentos sobre a Criação, assim como está na fé, porque nos esclarece sobre nossa origem Divina e nos ensina a conhecermos Deus racionalmente.
Por sua natureza expansiva e seu grau de divindade guardiã dos mistérios da Natureza, Oxossi é descrito nas lendas como um orixá caçador e ligado às matas (os vegetais). Como divindade, ele é o estimulador da busca do conhecimento e guardião dos segredos medicinais das folhas. (...) Oxossi é interpretado como a divindade que atua nos seres aguçando o raciocínio, esclarecendo-os e expandindo as faculdades mentais ligadas ao aprendizado das coisas religiosas, estimulando-os a buscar Deus sem fanatismo ou emotividade, mas com conhecimento e fé." (1)

Crença Africana
Oxossi, cujo nome significa Caçador Noturno é, segundo a crença africana, "filho de Iemanjá com Orunmilá. É a divinização da floresta, reina sobre o verde, sobre os animais selvagens, dos quais é considerado o dono e dos quais tem todas as virtudes e qualidades. Oxossi é sagaz como o leopardo, forte como o leão, leve como um pássaro, silencioso como um tigre, observador como a coruja, sabe se esconder como um tatu, é vaidoso como o pavão, corre como os coelhos, sobe em árvores como o macaco, conhece os animais profundamente e com eles partilha o conhecimento da Natureza.
Oxossi é o deus da caça, ligado às matas, irmão mais novo de Ogum. Também faz parte dos Orixás masculinos do panteão africano cujos princípios também são feitos de ferro."
"(...) Sua função é a de protetor dos caçadores, que passam grande parte do tempo em contato com Ossain, a divindade das ervas terapêuticas e litúrgicas, aprendendo com ele parte de seu poder." (2)

Lendas Africanas
"A cada ano, apósa colheita, o rei de Ijexá saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo à população inhame, milho e côco. O rei comemorava com sua família e seus súditos; só as feiticeiras não eram convidadas. Furiosas com a desconsideração, enviaram à festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada.
O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro tinha vinte flechas. Ele lançou todas elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro. Então o rei aborreceu-se, mas mandou-o embora.
Um segundo caçador apresentou-se, este com quarenta flechas; o fato repetiu-se novamente e o rei mandou prendê-lo.
Bem próximo dali vivia um jovem que costumava caçar à noite, antes do sol nascer; ele usava apenas uma flecha vermelha. O rei mandou chamá-lo para dar fim ao pássaro. Sabendo da punição imposta aos outros caçadores, a mãe do jovem caçador, temendo pela vida do filho, consultou um babalaô e os obis mostraram que, se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras, ele teria sucesso.
Na entrega da oferenda, o caçador deveria dizer três vezes: que o peito do pássaro receba esta oferenda! E assim o fez, acertando o pássaro bem no peito. O povo então gritava: Oxó Wussi! (Oxó é Popular!), passando a ser conhecido por Oxossi." (3)

Oferendas
As oferendas para Oxossi devem ser entregues em matas fechadas, altas, preferencialmente pouco exploradas pelos homens, enfeitadas com fitas verdes, vermelhas ou brancas. Na Umbanda, as oferendas para Oxossi consistem basicamente de velas verdes ou brancas, acompanhadas de flores brancas ou vermelhas, vinho moscatel, mate e água de côco com mel.
Devem ser depositadas sobre um tecido de algodão verde ou diretamente sobre a relva. Charutos também são bastante ofertados a Oxossi, especificamente aos caboclos.


(1) - Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, Rubens Saraceni - Editora Madras, 2005;
(2) - Revista Espiritual de Umbanda, n.10 - Editora Escala;
(3) - Site "Mundo dos Orixás".

Linha do Amor - Oxum

Doce Amor de Mamãe Oxum

A Orixá Oxum é a irradiação pura do amor e da doçura. Esse sentimento de verdadeira candura já está afixado no mental de todo umbandista.
A irradiação que vem do Alto e penetra os seres criados por Deus, realiza uma admirável transformação no interior dos corações embrutecidos.
Quem não se comove ao contemplar o ícone religioso da Senhora da Conceição que foi sincretizada com a Mãe Oxum? Isto é o resultado do trabalho silencioso e metódico dos Guias e Orixás.
Tão belo é o sentimento que este Orixá desperta nas pessoas que até mesmo cantores consagrados como Elba Ramalho e Zeca Baleiro, gravaram e incluíram em seus repertórios músicas em honra à doce Mamãe Oxum.
Ao longo dos tempos, este Trono foi denominado de várias formas. Teve vários ícones, várias humanizações, mas a vibração do Trono do Amor permaneceu o mesmo em todas as culturas.
Afrodite, Vênus, Ishtar, Maria, Oxum, são apenas alguns dos muitos nomes utilizados para designar este Trono Divino.
"Oxum é o Trono Natural irradiador do Amor Divino e da Concepção da Vida em todos os sentidos. Como "Mãe da Concepção" ela estimula a união matrimonial, e como Trono Mineral ela favorece a conquista da riqueza espiritual e a abundância mineral.
Seu elemento é o mineral e, junto com Oxumaré, ela forma toda uma linha vertical cujas vibrações, magnetismo e irradiações planetárias e multidimensionais atuam sobre os seres e os estimula ou os paralisa.


A Orixá Oxum é o Trono regente do pólo magnético irradiante da Linha do Amor e atua na vida dos seres estimulando em cada um os sentimentos de amor, fraternidade e a união.
(...)Na Coroa Divina a Orixá Oxum e o Orixá Oxumaré surgem a partir da projeção do Trono do Amor, que é o regente do sentido do Amor.
Oxum assume os mistérios relacionados à concepção de vidas porque o seu elemento mineral atua nos seres estimulando a união e a concepção." (Rubens Saraceni, O Código de Umbanda - pg 401 - Editora Cristális).
Os umbandistas, de forma geral fazem oferendas para a Divina Mãe Oxum nas cachoeiras. As cachoeiras são pontos de forças naturais, suas energias que têm origem nas quedas d'água energizam-na e a tornam irradiadora de forte energia mineral.
"As cachoeiras do plano material possuem sua contraparte etérica no plano espiritual, ao qual também energizam, pois têm esta dupla função. Mas uma cachoeira tem um campo vibratório cujo magnetismo é análogo ao do Trono Mineral ou Trono do Amor, que é a divindade natural (de natureza) que irradia energias que estimulam as uniões e as concepções nos seres.
E, porque o Trono do Amor (Oxum) possui uma hierarquia só sua, (...) nada mais lógico do que ser cultuado num ponto de forças do plano material cujo magnetismo é análogo ao seu (...) E no plano material, este ponto de forças, cujo magnetismo é análogo, localiza-se em todas as quedas d'água ou "cachoeiras"(...)
Logo, o altar natural do Trono do Amor são as cachoeiras do plano material." (Rubens Saraceni, O Código de Umbanda - pgs 318, 319 - Editora Cristális)


Oxum, Segundo a Crença Africana

É o Orixá dono da água doce. Mora no rio Oxum, na África. É considerada a Senhora da fertilidade, da gestação e do parto. Acredita-se que cuida dos recém-nascidos, lavando-os com suas águas e folhas refrescantes. Esta Orixá sabe cultivar suas características adolescentes, mantendo-se uma bela e jovem mãe. Possui muitas qualidades extremamente femininas, tais como a vaidade e a sensualidade. Sendo cheia de paixão, busca incessantemente o prazer, através da malícia e do exibicionismo. É consciente de sua beleza rara e se aproveita disso para seduzir e conseguir seus objetivos. Manifesta-se trazendo na mão um espelho (abebe).
Quando Orumilá estava criando o mundo, escolheu Oxum para ser a protetora das crianças. Ela deveria zelar pelos pequeninos desde o momento da concepção, ainda no ventre materno, até que pudessem usar o raciocínio e se expressar em algum idioma. Por isso, Oxum é considerada a Orixá da fertilidade e da maternidade.
Por sua beleza, Oxum também é tida como a deusa da vaidade, sendo vista como uma Orixá jovem e bonita mirando-se em seus espelhos (abebê) e abanando-se com seu leque (abelê). (1)


Lenda Africana

Segunda esposa de Xangô, considerada a mais bela de todas, teria sido presa pelo marido ciumento na torre do castelo que habitavam.
Passando por ali, Exu ouviu o choro de Oxum e quis saber qual a razão de sua tristeza. Após ouvir a história, pediu a ele que intercedesse por ela junto a Orumilá. Orumilá espalhou sobre a bela Oxum um pó mágico que a transformou em pomba, possibilitando a fuga, por isso, nos cultos a Oxum, a pomba é considerada um animal sagrado. (1)

(1) Retirado do Site "Mundo dos Orixás".

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Linha da Ordem - Ogum

Ogum - A Sua Espada Reluz

Um dos Orixás mais amados pelos umbandistas, Ogum, é o representante eólico da qualidade ordenadora do Divino Criador. É o Orixá que protege e defende os enfraquecidos aplicando a Lei Divina. É, em si mesmo, a Lei pura e imparcial, verdadeira e objetiva. Por ser um Orixá associado às vitórias sobre as demandas e opressões, passou a ser invocado em todos os Centros de Umbanda, bem como nos barracões de Candomblé, para defender as Casas e seus filhos contra as investidas humanas e espirituais das forças contrárias.
"Ogum é sinônimo de Lei Maior, Ordenação Divina e retidão, porque é unigênito e gerado na qualidade ordenadora do Divino Criador. Seu campo de atuação é a linha divisória entre a razão, a emoção e a ordenação dos processos e dos procedimentos. É o Trono Regente das milícias celestes, guardiãs dos procedimentos dos seres em todos os sentidos.
Ogum não pode ser dissociado da Lei Maior, pois ele é a divindade que a aplica em tudo e a todos. Ele é a Ordenação Divina em si mesmo: ele ordena a fé, o amor, o conhecimento, a justiça, a evolução e a geração. Por isso, está em todas as outras qualidades Divinas." (1)
Por ser um Orixá ligado às coisas das guerras e da aplicação da lei, está associado a São Jorge.



São Jorge é o santo católico, outrora soldado do Império Romano, que foi martirizado por fazer parte do grupo seguidor do cristianismo na época áurea dos Césares de Roma.
São Jorge é muito reverenciado dentro das Tendas de Umbanda, e as festas em sua homenagem são sempre alegres e anunciadas ao som de fogos de artifício.
A lança e a espada são instrumentos de batalha de Ogum e por isto, esse Orixá foi sincretizado com São Jorge, cujas armas fazem referência à Divindade da Lei.
Olhar para a figura do cavaleiro assentado em seu corcel branco, empunhando uma lança pontiaguda e espetando-a num temível dragão, trás à lembrança, a força guerreira de Ogum.
O nome Ogum, originário do Yorubá, é traduzido para o português como luta, batalha, guerra, e por isto é considerado pelos irmãos africanos como o "deus da guerra", o Orixá das contendas. Considerado deus do ferro, dos ferreiros e de todos que utilizam esse metal, Ogum é muito invocado para a abertura de caminhos e vitórias sobre o mal.
"O Trono da Lei é eólico e, ao irradiar-se cria a linha pura do ar elemental, já com dois polos magnéticos ocupados por orixás diferenciados em todos os aspectos. O polo magnético positivo é coupado por Ogum e o polo nagativo é ocupado por Iansã." (2)
"... Estes dois orixás são aplicadores da Lei (porque sua natureza é ordenadora), então eles projetam-se e dão início às suas hierarquias naturais, que são as que nos chegam através da Umbanda." (2)
"... Dizemos que Ogum é, em si mesmo, os atentos olhos da Lei, sempre vigilante, marcial e pronto para agir onde lhe for ordenado." (2)





Ogum, Segundo a Crença Africana



Divindade masculina iorubana, o filho mais enérgico de Odùduà, tornou-se regente da cidade de Ifé quando seu pai ficou temporariamente cego.
É o deus do ferro, dos ferreiros e de todos que utilizam esse metal. Os lugares consagrados a Ogum ficam ao ar livre, na entrada das casas e terreiros. Geralmente são pedras em forma de bigorna junto às árvores.
O culto a Ogum é bastante difundido tanto no Brasil quanto na Nigéria. Sem sua permissão e proteção, nenhuma atividade útil, tanto no espaço urbano como no campo, poderia ser aproveitada.
Deve ser invocado logo após Exu ser despachado, abrindo caminho para os outros orixás. Como na África, ele é representado por sete objetos de ferro pendurados em uma haste de metal. A importância de Ogum vem do fato de ser ele um dos mais antigos dos deuses Iorubás e, também, em virtude de sua ligação com os metais e aqueles que os utilizam.






Lendas Africanas


"Conta uma lenda que ao chegar a uma aldeia Ogum ficou furioso. Ele falava com as pessoas, mas ninguém o respondia. Isto aconteceu sucessivas vezes, e sempre que se dirigia a um morador da aldeia só tinha silêncio. Ele achou que as pessoas da aldeia estavam zombando dele e num ato de fúria usou seu poder e matou a todos que ele pensava estarem humilhando-o.
Um dia, ao passar por outra aldeia ele contou a um ancião o ocorrido e este lhe disse que na aldeia por onde Ogum passara as pessoas, naquela época do ano, faziam um voto de silêncio por alguns dias.
Ao saber disso ele ficou enfurecido consigo e envergonhado, jurou proteger os mais fracos e todos aqueles que estivessem sofrendo injustiças, discriminações e qualquer tipo de perseguição injusta." (3)



Oferendas


As oferendas para Ogum devem ser entregues em campos, caminhos e encruzilhadas, enfeitadas com fitas vermelhas, azuis ou brancas. Na Umbanda, as oferendas para Ogum consistem basicamente de velas brancas, azuis e vermelhas; cerveja, vinho tinto licoroso, acompanhadas de flores diversas e cravos.
Nas cidades litorâneas, costuma-se fazer oferendas para Ogum à beira-mar.



Bibliografia:
(1) - Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, Rubens Saraceni - Editora Madras, 2005;
(2) - O Código de Umbanda, Rubens Saraceni - Editora Cristális, 2000;
(3) - Site "Mundo dos Orixás".

Linha da Fé - Oxalá




Na Fé de Pai Oxalá

Oxalá é o Trono de Deus irradiador da Fé e da Religiosidade nos seres. Na Umbanda, desde que foi revelada no Plano Terreno, Oxalá é considerado o maior de todos os Orixás. Essa relevância deve-se ao sincretismo que apontou Jesus Cristo como sendo a figura representativa de Oxalá. Ora, essa associação com o Messias Judeu, foi deveras importante para a propagação do ritual umbandista, já que o Brasil é um país extremamente cristianizado, mesmo que seus habitantes professem o catolicismo ou o protestantismo.
Sendo Jesus Cristo uma manifestação maravilhosa do Divino Trono da Fé, foi sincretizado como o Pai Oxalá. Suas mensagens, com base na propagação da fé, estimulavam as pessoas à sua volta a ter uma vida mais íntima com o Criador.
Oxalá é o responsável por infundir a fé no mental dos seres e estimular a religiosidade, tão necessária à evolução do Espírito humano. Através das suas irradiações de fé, o Pai Oxalá faz nascer nos corações humanos o desejo de buscar a Deus, a ter uma vida religiosa e a descobrir o sentido espiritual de sua existência. As vibrações de Oxalá impulsionam os homens a esperar o amanhã com mais paciência e a ter certeza de que sempre será melhor.
A História está repleta de Espíritos que trouxeram para a Terra suas mensagens de extrema religiosidade e fé. Espíritos que inspiraram a muitos e foram exemplos a admirar e seguir. Foram Espíritos que recebendo as vibrações diretas de Oxalá, despertaram esta Linha de Evolução do homem, e levaram as pessoas a erguer religiões, crenças, tecer filosofias, desenvolver doutrinas.
Na Umbanda, Oxalá teve sua representação máxima em Jesus Cristo, e por causa disto, é considerado pelos umbandistas de forma geral como sendo o maior de todos os Orixás das Sete Linhas de Umbanda.

Os Pretos Velhos são também responsáveis por isto. Foram os queridos Vovôs e Vovós da Umbanda que, através de suas palavras inspiradoras de fé, paciência e resignação, levaram os adeptos e consulentes a lembrar-se de Jesus e a ter nEle modelo vivo para suas vidas.
Homens e mulheres descrentes e aflitos buscavam nos Pretos Velhos o consolo e sempre recebiam uma orientação tendo como exemplo a ser seguido o Mestre Jesus. Ainda hoje, esses Pretos e Pretas Velhas continuam realizando o mesmo trabalho de inspiração e devoção.Como sempre dizem: "que o Pai Oxalá te abençoe".



"Oxalá é o Trono Natural da Fé e seu campo de atuação preferencial é a religioso dos seres, aos quais ele envia o tempo todo suas vibrações estimuladoras da fé individual e suas irradiações geradoras de sentimentos de religiosidade."

"Oxalá é sinônimo de fé. Ele é o trono da fé que, assentado na Coroa Divina, irradia a fé em todos os sentidos e a todos os seres."
"(...) Nada ou ninguém deixa de ser alcançado por suas irradiações estimuladoras da fé e da religiosidade.
Seu alcance ultrapassa o culto dos orixás pois é o da religiosidade, que é comum a todos os seres pensantes.


Jesus Cristo é um Trono da Fé de nível intermediário dentro da hierarquia de Oxalá. E o mesmo acontece com Buda e outras divindades manifestadoras da fé, pois muitos Tronos Intermediários já se humanizaram para falar aos homens como homens e melhor estimularem a fé em Deus.
Todas as divindades irradiam a fé. Mas os Tronos da hierarquia de Oxalá são mistérios da Fé e irradiam-na o tempo todo.


Oxalá, Segundo a Crença Africana


"O Grande Orixá", ocupa uma posição única e inconteste do mais importante orixá e o mais elevado dos deuses Yorubás. É o dono da argila e da criação, onde molda os seres humanos em barro.
Senhor do silêncio, do vácuo frio e calmo, onde as palavras não podem ser ouvidas. Por apreciar muito o vinho de palma, embriagando-se frequentemente, perdeu a chance de criar a terra e tornou-se responsável pela mildagem das pessoas e ficou proibido de beber o vinho.Teimoso, às vezes passa por cima dessas regras.
Pessoas com defeitos de nascença, provocados por ele, lhe pertencem. Ele as protege para se redimir. Muda de nome conforme a situação.
Lento como um caramujo, todo de branco como seu ritual exige, é conhecido como Oxalufã.
Enérgico e guerreiro, de colar branco com azul real, é conhecido como Oxaguiã.
Em outras versões, é chamado de Orinxalá e Obatalá, o rei do pano branco.



Lendas Africanas

Oxalufã (Oxalá velho) era um rei muito idoso que andava com dificuldade, apoiado em seu cajado (o opaxorô). Um dia, sentindo saudades do filho Xangô, resolveu visitá-lo. Como era costume na terra dos Orixás, consultou um babalaô para saber como seria a viagem. Este recomendou que não viajasse. Mas, como o orixá teimasse em ver o filho, foi instruído a levar três roupas brancas e limo da costa (pasta extraída do caroço de dendê) e fazer tudo o que lhe pedissem. Com estas precauções, o Orixá partiu e, no meio do caminho, encontrou Exu Elepô, dono do azeite de dendê, sentado à beira da estrada, com um pote ao lado. Com boas maneiras, ele pediu a Oxalufã que o ajudasse a colocar o pote nos ombros. O velho orixá, lembrando as palavras do babalaô, resolveu auxiliá-lo; mas Exu Elepô, que adora brincar, derramou todo o dendê sobre Oxalufã.
O Orixá manteve a calma, limpou-se no rio com um pouco do limo, vestiu outra roupa e seguiu viagem. Mais adiante encontrou Exu Onidu, dono do carvão; e Exu Aladi, dono do óleo do caroço de dendê. Por duas vezes mais foi vítima dos brincalhões e procedeu como da primeira vez, limpando-se e vestindo roupas limpas, continuando sua caminhada rumo ao reino de Xangô.
Ao se aproximar das terras do filho, avistou um cavalo que conhecia muito bem, pois presenteara Xangô com o animal tempos atrás. Resolveu amarrá-lo para levá-lo de volta, mas foi mal interpretado pelos soldados, que julgaram-no um ladrão. Sem permitir explicações, eles espancaram o velho até quebrar seus ossos e o arrastaram para a prisão. Usando seus poderes, Oxalá fez com que não chovesse mais desse dia em diante. As colheitas foram prejudicadas e as mulheres ficaram estéreis.
Preocupado com isso, Xangô consultou seu babalaô e este afirmou que os problemas se relacionavam a uma injustiça cometida sete anos antes, pois um dos presos fora acusado de roubo injustamente. O Orixá dirigiu-se à prisão e reconheceu o pai. Envergonhado, ordenou que trouxessem água para limpá-lo e, a partir desse dia, exigiu que todos no reino se vestissem de branco em sinal de respeito ao pai, como forma de reparar a ofensa cometida. (1)



Oxalufã tinha um filho chamado Oxaguiã (forma jovem de Oxalá), muito valente e guerreiro, que almejava ter um reino a todo custo. Era um período de guerras entre dois reinos vizinhos e seus habitantes perguntavam sempre aos babalaôs o que fazer para que a paz voltasse a reinar. Um dos sacerdotes respondeu que eles deveriam oferecer ao Orixá da paz, que se vestia de branco, como uma pomba, muito inhame pilado, comida de sua preferência.
Oxaguiã, cujo nome significa "comedor de inhame pilado", apreciava tanto essa comida que ele próprio inventou o pilão para fazê-la.
Depois que as oferendas foram entregues, tudo voltou às boas. Oxaguiã tornou-se conhecido por todos e conseguiu seu próprio reino. Até hoje são oferecidas grandes festas a esse Orixá para que haja fartura o ano todo. (1)


Conta outra lenda que Oxalá era marido de Nanã, senhora do portal da vida e da morte. E, por determinação dela, somente os seres femininos tinham acesso ao portal, não permitindo a aproximação de seres masculinos em hipótese alguma. Essa determinação também servia para Oxalá, que com o passar do tempo não se conformava com esta decisão. Oxalá então encontrou uma forma de burlar as determinações de sua esposa. Não fugindo de sua cor branca, vestiu-se de mulher, colocou o adê (coroa) com os chorões no rosto, próprio das iabás e aproximou-se do portal satisfazendo enfim sua curiosidade. Foi pego, porém, por Nanã no exato momento em que via o outro lado da dimensão. Nanã aproximou-se e determinou:
" - Já que tu, meu marido, vestiste-te de mulher para desvendar um segredo tão importante, vou compartilhá-lo contigo. Terá, então, a incumbência de ser o princípio do fim, aquele que tocará o cajado três vezes ao solo para determinar o fim de um ser. Porém, jamais conseguirás te desfazer das vetes femininas e, daqui para frente terás todas as oferendas fêmeas!"


Oferendas

As oferendas para Oxalá são acompanhadas de velas brancas e consiste em frutas, coco verde, mel e flores brancas. Um grande ímã de trabalho é o que é feito com canjica branca e mel em louça branca. Seus pontos de força são os mais puros da natureza, tais como bosques, campinas, praias limpas, jardins floridos, etc.

As Sete Linhas da Umbanda


As Sete Linhas de Umbanda são as sete Irradiações Divinas, que são sete vibrações de Deus que dão sustentação a tudo o que existe em nosso planeta (1).
A Umbanda tem nas Sete Linhas seus fundamentos e só conhecendo-as muito bem conseguimos entender a razão de tantos nomes simbólicos usados pelos guias espirituais. Temos então:

A Linha Cristalina estimula a Fé (Religiosidade)
A Linha Mineral estimula o Amor/Concepção (Sexualidade)
A Linha Vegetal estimula o Raciocínio (Conhecimento)
A Linha Ígnea estimula a Razão (Juízo)
A Linha Eólica estimula a Ordem (Equilíbrio)
A Linha Telúrica estimula o Saber (Evolução)
A Linha Aquática estimula a Maternidade (Geração) (2)

Estas sete linhas são irradiações planetárias dos Sagrados Orixás Regentes, que são essências indiferenciadas, pois não possuem denominação. Cada uma dessas essências atua num padrão vibratório e estimula os seres que vivem em todas as dimensões do planeta (2).
São sete irradiações, sete padrões vibratórios, sete sentidos da vida e sete sentimentos.
As sete irradiações dão origem a sete essências, que dão origem a sete elementos, que dão origem a sete tipos de matérias ou energias (1).
São Irradiações Divinas e cada uma flui num padrão próprio e influencia quem é alcançado por ela, alterando sentimentos; mais íntimos e o nosso padrão vibratório, tornando-nos afins com elas, que estimulam em nós a vibração de sentimentos nobres e virtuosos (1).
Existem Orixás que, por sua própria natureza, são polarizadores e irradiam essas vibrações de forma passiva ou ativa.
Enquanto no nível da essência, elas são imperceptíveis, pois nos chegam direto de Deus. Mas quando as recebemos dos Orixás, elas são elementais e já foram bipolarizadas. Logo, as Sete Linhas assumem esta bipolarização, surgindo automaticamente dois polos em cada uma delas.

POLOS ATIVOS E POLOS PASSIVOS
A Linha da Fé
Oxalá é passivo - Oyá-Tempo é ativa

A Linha do Amor
Oxum é ativa - Oxumaré é passivo

A Linha do Conhecimento
Oxossi é ativo - Obá é passiva

A Linha da Razão
Xangô é passivo - Iansã é ativa

A Linha da Ordem
Ogum é passivo - Egunitá é ativa

A Linha da Evolução
Obaluaiê é ativo - Nanã é passiva

A Linha da Geração
Iemanjá é passiva - Omulu é ativo

Assim, temos Sete Linhas, mas catorze Orixás, pois uns ocupam os polos ativos e outros, os polos passivos.
É nesta bipolarização que os arquétipos dos Orixás vão se formando; aí eles vão se individualizando e assumindo atribuições específicas, mesmo atuando sob uma mesma irradiação (1).
Temos no panteão africano centenas de orixás mais ou menos afins com estas Sete Linhas do Ritual de Umbanda Sagrada (...)
As linhas são afins com os orixás e estes com os sentidos e os sentimentos.
As Sete Linhas de Umbanda encontram-se, desta forma, completas. (2)


(1) Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada; pág.175-177 - Rubens Saraceni; Ed. Madras
(2) O Código de Umbanda, pág.84-86 - Rubens Saraceni; Ed. Cristális

Tanto Barulho Por Nada...




Sob o título "A Prefeita de São Gonçalo não é Mais Importante Que a Umbanda", os umbandistas Átila Nunes e Átila Nunes Neto escreveram a seguinte matéria que serve de reflexão para todos os umbandistas. Esta matéria foi publicada no Site Povo de Aruanda .

Assim que surgiu o noticiário sobre a demolição da casa onde Zélio de Moraes nasceu e fundou a Umbanda, no município de São Gonçalo, Rio de Janeiro, conversei com o Secretário de Obras daquela Prefeitura, Valmir Barros.

Aquele imóvel, onde nasceu a Umbanda, hoje é de propriedade de Verônica Matta da Silva Costa, tendo dado entrada do pedido de licença em 13 de abril deste ano.

A licença para demolição foi concedida pela prefeita Aparecida Panisset e a construção de um galpão, no lugar do berço da Umbanda, teve início no último dia 6 de julho.

Esse episódio encerra várias lições para todos nós, umbandistas.

Existem dezenas de terreiros de Umbanda e Candomblé que têm história. E que devem ser preservados, não pelo simples fato de serem terreiros, mas sobretudo, pelo seu significado cultural.

O maior exemplo de preservação de templos históricos vem da Igreja Católica, que – com a ajuda governamental – mantém intactas igrejas centenárias, algumas tombadas e reconhecidas como patrimônio mundial pela Unesco.

Em todo o Brasil, temos terreiros que são conhecidos por denominações diversas: Umbanda, Candomblé, Catimbó, Xangô, Batuque, Jurema etc, conforme o Estado de origem.

Alguns têm quase 100 anos. E devem ser preservados através de um movimento que parta de nossos irmãos em cada estado brasileiro. Como foi a Casa de Menininha do Gantois, na Bahia.

De quem é a responsabilidade nesse episódio de São Gonçalo, em que o centro onde Zélio de Moraes anunciou a criação da Umbanda, foi demolido em abril deste ano?

Vamos aos fatos. E fatos não são opiniões. Fatos são fatos. São inquestionáveis. Aconteceram.

É óbvio que a prefeita evangélica de São Gonçalo, Aparecida Panisset, (que está no segundo mandato), SABIA SIM, que ali era um casarão, onde nasceu a Umbanda, em 1908. Afinal, ela é professora de História.

Ou alguém acha que o prefeito de uma cidade não sabe onde se encontram os mais importantes templos religiosos de seu município?

É zero a possibilidade da prefeita evangélica Aparecida Panisset ignorar que ali era o berço da Umbanda. É CLARO QUE ELA SABIA que ali existia um patrimônio cultural-religioso a ser preservado.

Se tivesse agido como prefeita, como administradora, E NÃO COMO EVANGÉLICA RADICAL, teria decretado o tombamento da casa onde Zélio anunciou a Umbanda.

Dá para imaginar que o prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, desconheça a importância da Igreja da Candelária?

Ou que o prefeito de Salvador ignore a importância da casa de Mãe Meninha do Gantois (que aliás, foi tombada pelo Ministério da Cultura e pelo Iphan)?

Dá para imaginar que o prefeito de São Paulo, ignore a importância da Catedral da Sé?

É óbvio que a prefeita Aparecida Panisset, conhecida pela sua posição religiosa radical, com origem na Igreja Nova Vida (neopentecostal) dificilmente moveria uma palha para desapropriar aquele imóvel, salvando-o da demolição.

A mídia daquela cidade tem denunciado os benefícios governamentais da Panisset destinados aos neopentecostais gonçalenses: igrejas, funcionários, carros e contratação de religiosos.

No seu primeiro ano de governo, segundo a imprensa, Aparecida Panisset ameaçou proibir a tradicional procissão e o tapete de sal de Corpus Christi, tradições católicas.

Numa longa entrevista ao jornal Extra (RJ), Aparecida Panisset se apresenta quase como uma personagem bíblica quando fala de si por meio de parábolas (ver trecho da matéria abaixo)

A prefeita de São Gonçalo, contudo, não é mais importante do que a Umbanda.

Não será pela omissão criminosa da prefeita Aparecida Panisset, que poderia ter impedido a demolição do primeiro imóvel da Umbanda através de um simples decreto de tombamento, que nossa religião deixará de avançar.

Pelo contrário, esse ato covarde só nos anima a avançar mais ainda.

Nenhuma outra religião no Brasil foi mais perseguida, humilhada, vilipendiada e agredida do que a Umbanda. Nenhuma!

Primeiro, foram os colonizadores que impingiram o sincretismo religioso aos escravos.

Depois, vieram as proibições aos cultos, que partiam de ordens das autoridades, chegando ao cúmulo das invasões pela policia dos terreiros, com médiuns presos, atabaques e símbolos religiosos destruídos.

Depois, na década de 80, grupos de ditos neopentecostais, na verdade, membros de seitas eletrônicas, fizeram de tudo para destruir a Umbanda, notadamente no Rio de Janeiro. A certeza de que seriam vitoriosos era tão grande, que partiram para cima da Igreja Católica, chegando a exibir na TV imagens de “bispos” chutando a imagem de Nossa Senhora da Aparecida.

Não conseguiram nos destruir. Não fecharam os terreiros. Não calaram nossos atabaques.

A Umbanda continua. Sem dízimo. Sem recursos. Sem emissoras de Rádio e TV. Sem ajuda do governo. Nada. Continua graças à fé nos espíritos de luz.

Por isso, a demolição da casa onde Zélio de Moraes anunciou a Umbanda, é apenas mais um episódio – doloroso, é verdade – na caminhada da nossa religião.

Daqui a um ano, a hoje prefeita Aparecida Panisset deixará a prefeitura de São Gonçalo. Pode até conquistar um ou outro cargo político. Mas, seu destino final está traçado: o ostracismo, o mais absoluto esquecimento.

Daqui a mais alguns anos, ninguém se lembrará de quem foi Aparecida Panisset. Em São Gonçalo, um ou outro se lembrará da ex-prefeita. Não deixará boas lembranças. Nenhum legado administrativo. Ou grande obra. Nada.

Ninguém no Estado Rio de Janeiro, e muito menos do Brasil, se lembrará de uma prefeita, que num dos municípios com maior desigualdade social do Estado do Rio de Janeiro, foi denunciada por proibir a procissão de Corpus Christi e demolir a primeira casa de Umbanda.

Aparecida Panisset desaparecerá no resíduo da História.

A Procissão de Corpus Christi e a Umbanda continuarão vivas. Vivas na memória e nos corações dos brasileiros.

UMBANDA UNIDA, UMBANDA FORTE!

Átila Nunes e Átila Nunes Neto