quinta-feira, 4 de março de 2010

A Reencarnação


A Religião de Umbanda tem em suas bases doutrinárias a reencarnação como forma de evolução. Não chega a ser um castigo, como é visto em algumas doutrinas espiritualistas orientais. Também não é uma maldição ou uma bênção, mas sim uma forma necessária de todos os Espíritos humanos alcançarem a plenitude da consciência. Do mesmo jeito como a meditação e o estudo são formas de se chegar a um estágio de evolução superior, a reencarnação o é.
A Reencarnação, ou Palingenesia, é um ensinamento utilizado na Umbanda que teve origem nas religiões orientais, principalmente hinduístas. Essa palavra que tem raízes no grego significa, em suma, “nascer de novo” (palin = repetição, de novo + genes(e) = nascimento). Essa doutrina é ensinada nas Giras de Umbanda pelos Caboclos e principalmente pelos Pretos Velhos, Espíritos cheios de sabedoria e que passaram por inúmeras encarnações.

O “hinduísmo, religião antiqüíssima, surgiu aproximadamente no ano de 1.500 a.C. Os hinduístas professam a fé no carma, no darma, na reencarnação, no culto no templo e no reconhecimento dos Vedas como as escrituras sagradas. O “carma” é um mecanismo de compensação de vidas passadas. Toda ação praticada contra a moral e os bons costumes em uma encarnação passada, leva o infrator ao resgate e à expiação em posteriores existências, conforme os mecanismos da lei de ação e reação, ou Lei de Causa e Efeito.
Segundo a doutrina hinduísta, a maioria dos seres humanos passa, em média, por 140 encarnações pelo planeta Terra. Esta é a Roda das Encarnações ou Roda de Sansara, o ciclo de encarnações em que todos estão envolvidos, através da Lei de Causa e Efeito e, conseqüentemente, do carma de cada um. “A referida Lei enuncia que toda ação e pensamento que praticamos correspondem a um resultado equivalente.” (1)
Além dos hinduístas, vários outros povos da antiguidade já professavam a crença na reencarnação, tais como gregos, egípcios e até mesmo judeus da época de Jesus. Era voga entre os fariseus e outros grupos religiosos o debate sobre a imortalidade da alma e a pluralidade das existências.
É reencarnando, quantas vezes for preciso, que o homem – Espírito humano – consegue atingir a perfeição tão ensinada nos púlpitos das igrejas. Não se consegue alcançar essa perfeição em apenas uma parca existência de alguns anos, ou em apenas uma reencarnação. É inconcebível que o homem, enquanto Espírito em evolução, tenha somente uns poucos anos de vida na carne para trabalhar toda a perfeição que a humanidade busca há milênios. É uma incoerência gritante imaginar um Espírito que desencarna cheio de vícios e erros tendo que disputar um lugar no “paraíso” com outro menos apegado à materialidade à base de justificações criadas por religiosos também em busca da perfeição.

O Espiritismo, doutrina implantada por Allan Kardec, foi a mola propulsora para a divulgação em massa dessa doutrina milenar. Através d’O Livro dos Espíritos, o cientista francês disseminou o conhecimento sobre a reencarnação entre os povos ocidentais da atualidade, uma vez que tal fé limitava-se quase que exclusivamente às antigas religiões orientais. O Espiritismo explica que “a reencarnação é a volta da Alma, ou Espírito, à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo.” (2)
Ao contrário do Hinduísmo, o Espiritismo ensina que a reencarnação não é uma punição ou castigo aplicado às pessoas ruins, porém é uma nova oportunidade que Deus dá aos homens de corrigir erros passados, e adiantar-se, a fim de alcançar mundos superiores, através de provas e expiações.


(1) PAULA C., Reencarnação e Carma, Conceitos. In: www.amorcosmico.com.br.
(2) KARDEC, Allan. Nascer de Novo. In: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro, RJ; Federação Espírita Brasileira, 106ª Ed. – Cap IV – Item 4, p. 84.

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