segunda-feira, 8 de março de 2010

Visita à Tenda Nossa Senhora da Piedade




Vídeo da visita do irmão Renato Guimarães à Tenda de Umbanda mais antiga do mundo.
Postado no Blog registrosdeumbanda.wordpress.com

sexta-feira, 5 de março de 2010

Os Guias de Umbanda



Na Religião de Umbanda manifestam-se Espíritos cujas atividades diferenciam-se pelas missões que cada um assumiu perante a Coroa Regente Planetária. São Espíritos Humanos que têm o grande papel de conduzir as pessoas no melhor caminho. São os Mentores Espirituais que na Umbanda são chamados de Guias.
Os Guias de Umbanda manifestam-se nos Terreiros seguindo um padrão já estabelecido desde a primeira manifestação através do médium Zélio Fernandino de Morais, jovem carioca que aos 17 anos de idade viu-se “incorporado” pelo Espírito que se identificou como Caboclo das Sete Encruzilhadas, nos idos de 1908. A missão desse Espírito ficou definida desde o início: inaugurar um novo culto em solo brasileiro. Um culto em que diversos outros Espíritos se manifestariam com o propósito de evoluírem e ajudarem os irmãos encarnados em sua caminhada terrena. Assim, aos Mentores Espirituais que se seguiram ao Caboclo das Sete Encruzilhadas, deu-se o nome de “Guias”, uma vez que eles começaram a “baixar” nos Centros de Umbanda trazendo a tarefa de guiarem os encarnados.
Um Espírito que se apresentou como Pai Antônio veio logo a seguir dizendo que era um “Preto-Velho”. Ao lado do Caboclo das Sete Encruzilhadas, o Pai Antônio fortaleceu as bases iniciais da Religião de Umbanda através da mediunidade de Zélio de Morais. Enquanto o Caboclo realizava um trabalho pautado na doutrinação e na sedimentação da Nova Religião, o Preto Velho definia seus trabalhos através de rezas, benzimentos e passes de curas. A partir da anunciação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, outros Espíritos “baixaram” nos centros umbandistas apresentando-se com as mais variadas formas fluídicas.
A Religião logo cresceu e, com ela, ampliou-se também a Corrente de outros Espíritos que encontraram na Umbanda uma oportunidade ímpar de acelerar seu processo evolutivo através da Caridade empregada aos irmãos encarnados e desencarnados. Assim, surgiram diversas outras formas fluídicas nas Giras de Umbanda: Crianças, Exus, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos, etc., cada qual com características próprias, maneirismos peculiares e jeitos particulares de trabalhar. Esses Guias de Umbanda compõem o que hoje é chamado de Linhas de Trabalho. As Linhas de Trabalho identificam o campo de ação de cada Entidade.
As Linhas de Trabalho foram, no início da Religião, confundidas com as Linhas Energéticas, ou Linhas Essenciais, que são pontificadas pelos Sagrados Orixás. É primordial que essa diferença seja bem definida para que não haja mais confusões.
Os Guias participam de agrupamentos afins chamados de Falanges. Os Espíritos que pertencem a uma determinada Falange assumem a identificação de seus Chefes Espirituais, cujos nomes determinam o próprio nome da Falange. Daí, cada Espírito que, por afinidade, participa da Falange de “Pai Antônio”, por exemplo, recebe esse nome. Por isso, há tantos “Pais Antônios” trabalhando nos Terreiros de Umbanda. O mesmo acontece com as demais Linhas de Trabalho.
A afinidade dos Espíritos é o que estabelece a qual linha eles irão pertencer. Não é a nacionalidade ou a raça vivida na última encarnação. Claro é que nem todo Espírito que trabalha na Linha de Preto-Velho (ou Linha das Almas – como é chamada em alguns terreiros) foi, de fato, negro ou velho na última encarnação. Nem todo Caboclo foi, no último encarne, um filho de índia (o) com branco (a). Também é certo que nem todo Boiadeiro viveu nos sertões ou nos campos apascentando rebanhos na encarnação passada. Isso explica também o que acontece na Linha das Crianças. Há Espíritos que compõem essa Linha que sequer tiveram alguma encarnação na Terra. São Espíritos Naturais conhecidos como Seres Encantados da Natureza.

Julio Cezar Gomes Pinto

A Egrégora de Umbanda



Se você é pai no santo ou médium freqüentador de algum terreiro, já deve ter pelo menos ouvido alguém dizer: -"Olha a corrente, gente! Vamos concentrar"!
Você sabe realmente o que isso quer dizer? Muita gente (até as que falam) não sabe! O que é essa tal de "corrente"? Será uma corrente de ferro ou de fibras que se forma no invisível? Será uma corrente que vai prender os espíritos? Será? Será?
Na verdade, quando um dirigente (quando bem preparado) chama a atenção para a "corrente" é porque ele sentiu uma queda ou diminuição na energia ambiente (EGRÉGORA) que deve ser mantida pelos médiuns em um potencial elevado, de forma a manter os trabalhos em nível adequado, até mesmo por uma questão de auto-preservação.
Numa gira de Umbanda e também nos cultos das Igrejas Evangélicas que fazem curas, etc,
um grupo de pessoas deve estar UNIDO POR UM MESMO IDEAL. Isso é a base de tudo!
Criada a egrégora (pela união dos pensamentos direcionados aos mesmos fins), cada vez mais energias de mesma sintonia são atraídas para o ambiente. Essas energias somadas atuam imediatamente nas pessoas que ali estão, e em alguns casos, se for bem forte já começam a operar alguns "milagres", desde que as pessoas estejam em estado de recepção (concentradas no ritual e ansiando por receberem um bem). As entidades afins (os seres espirituais) penetram e até são atraídas para o interior. Entidades inferiores tendem a ser barradas por uma força invisível (a energia) que a princípio é incompatível com suas vibrações (isso se tudo estiver "correndo bem").
Se uma entidade inferior for atraída para dentro da egrégora, ela fica de certa forma subjugada pela força desta e desse modo se consegue lhes dar um melhor encaminhamento para outros planos espirituais.
As entidades afins usam parte dessa energia para auxiliar os que ali estão na medida de suas possibilidades.
A técnica usada nos terreiros de Umbanda e Candomblé para formar a egrégora inicial (quando os grupos são bem dirigidos) está baseada nos rituais de "abertura". Já nas Igrejas Evangélicas e outras, consiste basicamente nas pregações, que fazem com que os adeptos se concentrem ou dirijam seus pensamentos de acordo com a "pregação". Nessas "pregações" há sempre um direcionamento do raciocínio dos ouvintes de forma a fazê-los pensar positivamente e acreditarem firmemente na possibilidade de alcançarem os bens que foram procurar. Nesse momento, embora nem saibam às vezes, estão gerando a egrégora.
Fazer com que a assistência de um terreiro participe ativamente, pensando positivamente, deve ser parte obrigatória de TODAS as giras de Umbanda. Essa, no entanto é uma prática esquecida e o que se vê em muitos terreiros é uma assistência quase sempre alheia, só participando em alguns momentos, de preferência quando vem ao encontro do que lhes interessa.
Dessa egrégora são retiradas as energias para a realização dos trabalhos, o que vale dizer que se essa energia não for forte o suficiente, o mínimo que pode acontecer é acontecer nada.
Por outro lado, se a corrente ou egrégora das "giras" não for suficiente, várias complicações podem acontecer com o passar do tempo, sendo que, o(a) dirigente, por ser o centro maior das atenções e para quem convergem as maiores quantidades de energia ali geradas e mesmo as trazidas pelos assistentes, é quem sofre, por assim dizer, as maiores conseqüências dos trabalhos realizados sem a devida segurança.

Baseado no texto: “Você sabe o que significa Egrégora?”, por “solkiinin”, em solkiinin@yahoo.com.br




quinta-feira, 4 de março de 2010

A Reencarnação


A Religião de Umbanda tem em suas bases doutrinárias a reencarnação como forma de evolução. Não chega a ser um castigo, como é visto em algumas doutrinas espiritualistas orientais. Também não é uma maldição ou uma bênção, mas sim uma forma necessária de todos os Espíritos humanos alcançarem a plenitude da consciência. Do mesmo jeito como a meditação e o estudo são formas de se chegar a um estágio de evolução superior, a reencarnação o é.
A Reencarnação, ou Palingenesia, é um ensinamento utilizado na Umbanda que teve origem nas religiões orientais, principalmente hinduístas. Essa palavra que tem raízes no grego significa, em suma, “nascer de novo” (palin = repetição, de novo + genes(e) = nascimento). Essa doutrina é ensinada nas Giras de Umbanda pelos Caboclos e principalmente pelos Pretos Velhos, Espíritos cheios de sabedoria e que passaram por inúmeras encarnações.

O “hinduísmo, religião antiqüíssima, surgiu aproximadamente no ano de 1.500 a.C. Os hinduístas professam a fé no carma, no darma, na reencarnação, no culto no templo e no reconhecimento dos Vedas como as escrituras sagradas. O “carma” é um mecanismo de compensação de vidas passadas. Toda ação praticada contra a moral e os bons costumes em uma encarnação passada, leva o infrator ao resgate e à expiação em posteriores existências, conforme os mecanismos da lei de ação e reação, ou Lei de Causa e Efeito.
Segundo a doutrina hinduísta, a maioria dos seres humanos passa, em média, por 140 encarnações pelo planeta Terra. Esta é a Roda das Encarnações ou Roda de Sansara, o ciclo de encarnações em que todos estão envolvidos, através da Lei de Causa e Efeito e, conseqüentemente, do carma de cada um. “A referida Lei enuncia que toda ação e pensamento que praticamos correspondem a um resultado equivalente.” (1)
Além dos hinduístas, vários outros povos da antiguidade já professavam a crença na reencarnação, tais como gregos, egípcios e até mesmo judeus da época de Jesus. Era voga entre os fariseus e outros grupos religiosos o debate sobre a imortalidade da alma e a pluralidade das existências.
É reencarnando, quantas vezes for preciso, que o homem – Espírito humano – consegue atingir a perfeição tão ensinada nos púlpitos das igrejas. Não se consegue alcançar essa perfeição em apenas uma parca existência de alguns anos, ou em apenas uma reencarnação. É inconcebível que o homem, enquanto Espírito em evolução, tenha somente uns poucos anos de vida na carne para trabalhar toda a perfeição que a humanidade busca há milênios. É uma incoerência gritante imaginar um Espírito que desencarna cheio de vícios e erros tendo que disputar um lugar no “paraíso” com outro menos apegado à materialidade à base de justificações criadas por religiosos também em busca da perfeição.

O Espiritismo, doutrina implantada por Allan Kardec, foi a mola propulsora para a divulgação em massa dessa doutrina milenar. Através d’O Livro dos Espíritos, o cientista francês disseminou o conhecimento sobre a reencarnação entre os povos ocidentais da atualidade, uma vez que tal fé limitava-se quase que exclusivamente às antigas religiões orientais. O Espiritismo explica que “a reencarnação é a volta da Alma, ou Espírito, à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo.” (2)
Ao contrário do Hinduísmo, o Espiritismo ensina que a reencarnação não é uma punição ou castigo aplicado às pessoas ruins, porém é uma nova oportunidade que Deus dá aos homens de corrigir erros passados, e adiantar-se, a fim de alcançar mundos superiores, através de provas e expiações.


(1) PAULA C., Reencarnação e Carma, Conceitos. In: www.amorcosmico.com.br.
(2) KARDEC, Allan. Nascer de Novo. In: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro, RJ; Federação Espírita Brasileira, 106ª Ed. – Cap IV – Item 4, p. 84.