sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Cafundó - A História de Pai João de Camargo


SINOPSE: Cafundó é inspirado em um personagem real saído das senzalas do século XIX. Um tropeiro, ex-escravo, deslumbrado com o mundo em transformação e desesperado para viver nele. Este choque leva-o ao fundo do poço. Derrotado, ele se abandona nos braços da inspiração, alucina-se, ilumina-se, é capaz de ver Deus. Uma visão em que se misturam a magia de suas raízes negras com a glória da civilização judaico-cristã. Sua missão é ajudar o próximo. Ele se crê capaz de curar, e acaba curando. O triunfo da loucura da fé. Sua morte, nos anos 40, transforma-o numa das lendas que formou a alma brasileira e, até hoje, nas lojas de produtos religiosos, encontramos sua imagem, O Preto Velho João de Camargo.
Cafundó - Parte 1/10






Confira os outros links:
http://www.youtube.com/watch?v=pHQaRCwOWJ4
http://www.youtube.com/watch?v=u_5th0qertM
http://www.youtube.com/watch?v=j6_9t-Veoto
http://www.youtube.com/watch?v=nO6-gOBxVfg
http://www.youtube.com/watch?v=dm8bXDZSC4E
http://www.youtube.com/watch?v=QuUENIElLho
http://www.youtube.com/watch?v=IP0SHcSvxOg
http://www.youtube.com/watch?v=jsX2Ri4YyXE
http://www.youtube.com/watch?v=ILJcY2qZ6FU

Dança das Cabaças - Exu no Brasil



Dança das Cabaças - Exu no Brasil from Elegbara on Vimeo.



Dança das Cabaças - Exu no Brasil é uma investigação poética sobre a divindade africana Exu no imaginário brasileiro. Trazido pelos escravos com outros Deuses do panteão Yoruba, Exu foi colocado à margem e passou por um processo de demonização que se inicia na missão católica na África e se estende no período colonial brasileiro, onde seus atributos originais foram ocultados.
Exu que na África era caracterizado como o princípio da vida, a força que move os corpos, a dinâmica, o senhor dos caminhos e das encruzilhadas, a principal ponte entre os mortais e as divindades que habitam o além, passa a ser visto como a personificação do mal perante o modelo cristão, devido ao seu seu símbolo fálico e seu comportamento astucioso.
Dirigido por Kiko Dinucci, o filme passa pelas diversas vertentes das religiões afro-descendentes, dos candomblés (de tradição Nagô, Gege, Bantu), Tambor de Mina, passando pela Umbanda e Quimbanda. Dança das Cabaças-Exu no Brasil conta com participações de Sacerdotes e estudiosos.

dancadascabacas.blogspot.com

DANCE OF CALABASH - EXU IN BRAZIL - (2006) - Time: 54 min.Format: Mini DVDirected by: Kiko DinucciDance of Calabash - Exu in Brazil is an poetic investigation on the African divinity Exu in the brazilian imaginary. Alongside other Yoruba Gods, Exu was brought to Brazil by the slaves and became demonized during the colonial period, when catholic missions in Africa and in Brazil concealed its original attributes. In Africa, Exu was viewed as the beginning of life, the force that moved bodies, the lord of the paths and cross-roads. It was the main link between the dead and the gods. For the Christians, it became the personification of evil, due to its falic symbol and astute behaviour. Directed by Kiko Dinucci, the movie investigates the different African-brazilian religions, such as candomblé (Nagô, Gege and Bantu traditions), Tambor de Mina, Umbanda and Quimbanda. Special appearances of priests, clergyman and scholars.

Publicado em Vimeo >>> http://www.vimeo.com/1436330?pg=embed&sec=1436330

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Umbandista, "Vem e Segue-me!"


A prática da Caridade e a vida de entrega contínua dos que se propõem a servir na Religião de Umbanda estão intimamente ligadas ao apelo do Mestre Jesus, considerado por milhares de umbandistas como o Filho de Deus e sincretizado com o Pai Oxalá, Orixá da Fé. O apelo de Jesus, ou o chamado do Mestre, encontra eco nas palavras de milhares de Pretos Velhos e Vovós de Umbanda que, insistentemente, incutem nos filhos de fé e nos seus consulentes as exortações à caridade, à paciência, ao perdão e o amor ao próximo.

O Mestre da Galiléia, apontado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas como modelo a ser seguido pelos umbandistas, por vezes convocava os seus discípulos a entrarem numa demanda missionária cujo propósito era o de mostrar-lhes pelo exemplo a maneira correta de se posicionarem perante a multidão. Tais atitudes de Jesus levavam os discípulos a repensarem suas tacanhas e preconceituosas maneiras de ver o semelhante, já que todos haviam sido educados na radical tradição judaica.

Jesus trouxe uma mensagem que traduziu-se como "A Verdade". Não era a "sua" verdade, porém resumia o pensamento ancestral e milenar da Espiritualidade Maior e apontava a direção certa a todos.

Simples, Jesus fazia declarações arrebatadoras aos humildes e rudes homens do campo; falava com impressionante veracidade a doutores e autoridades sacerdotais de sua época e distinguia-se dos poderosos governantes pela sua maneira horizontal de chefiar os seguidores.

Sem ostentação e desprovido da insuportável vaidade humana, Jesus convidava os seus discípulos e seguidores a tomarem para si os exemplos das figuras e símbolos que recheavam suas mensagens compreensíveis até mesmo pelas criancinhas.

A Umbanda tem nas mensagens de Jesus o convite ao exercício da Caridade, do amor fraternal e do trabalho constante em favor dos aflitos. Foi assim que o Mestre convocou os rudes pescadores, cobradores de impostos e preconceituosos seguidores do judaísmo.

Grandes prodígios Jesus fez na Galiléia, terra considerada pelos judeus como sendo o local de homens pouco inteligentes e insubordinados. Jesus, apesar disso, levava os discípulos a verdadeiras excursões pelas terras da Galiléia com o propósito de ensinar-lhes algo que culminaria com a reflexão interior e com a mudança de postura deles mesmos, como na vez em que chamou Filipe a seguí-lo: “No outro dia, Jesus quis partir para a Galileia. Encontrou Felipe e lhe disse: Segue-me” (Jo 1, 43).

Jesus passou grande parte de sua vida na Galiléia, apesar de ter nascido na Judéia, terra vizinha. Lá, ele cresceu e entrou na adolescência, por isso era chamado em tom jocoso de "O Galileu". Geograficamente, a Galiléia é uma região de montanhas e mostra-se como uma "encruzilhada" de caminhos entre o Mediterrâneo e os desertos do rio Jordão. Foi também palco de grandes prodígios que nos remetem à reflexão.

O umbandista depara-se com muitas encruzilhadas! Vez por outra precisa decidir seu destino na escolha de caminhos que o levam ao perdão ou ao orgulho; ao amor ou ao ódio; à temperança ou à ira; às planícies fecundas da caridade ou aos desertos da indiferença e do egoísmo.

A Galiléia pode ser vista como o mundo em que vivem os Espíritos humanos que correm aos terreiros em busca de socorro. Espíritos que normalmente são considerados de pouca inteligência. Espíritos que, devido ao estágio em que se encontram estão revoltosos e avessos aos mandamentos celestiais de amor e perdão.

Foi na Galiléia que Jesus transformou a água em vinho! Fato que diz muito mais do que uma simples demonstração mágica. Jesus mostra, através do tão famoso milagre das bodas que o homem deve buscar incessantemente a mudança interior para que seja agradável a todos os convidados da última hora.

O umbandista de verdade deve realizar essa mudança constantemente, caso contrário os sábios conselhos dos Pretos Velhos soarão como palavras vazias e sem vida. Sem mudança interior, o umbandista permanecerá estagnado nos vasos de pedra da ignorância.

Na Galiléia Jesus transfigurou-se perante os discípulos, o que nos remete novamente à mudança constante. Desta vez, a mudança do umbandista é externa. Todos precisam enxergar no filho de Umbanda, o novo homem, a nova criatura, o que nasceu de novo. O rosto do umbandista deve resplandecer a luz dos Guias e Mentores de Aruanda, como nos diz o lindo hino. O umbandista deve refletir a "luz Divina em todo o seu esplendor".

Foi no lago de Genesaré, o Mar da Galiléia, que Jesus exortou Pedro a viver uma vida de Fé, quando o pescador começou a afundar nas águas revoltas. Assim, deve ser todo o umbandista! O umbandista enfrenta muitas ondas que põem sua fé em jogo, contudo ele deve abandonar a incredulidade, a ignorância e a falta de confiança nos Guias para andar pela fé sobre as águas escuras da vida cotidiana.

Foi na Galiléia também, ainda no Grande Mar, que Jesus ensinou os discípulos a serem grandes pescadores.

Como seguidores do Mestre Jesus, os umbandistas precisam aprender a ser também pescadores de almas. Não para encher os templos e terreiros com cegos dizimistas ou fanáticos mandingueiros, mas para levar as criaturas humanas aos campos luminosos de Aruanda. As almas perdidas serão tiradas do grande mar que é a vida sem Deus, e serão depositadas nos braços dos sagrados Orixás para servirem de alimento aos outros que ainda não encontraram o caminho da Luz.

Todos esses ensinamentos, e muito mais ainda, o Mestre Jesus deu aos discípulos.

Jesus não quis transformar os discípulos em apenas imitadores ou repetidores de fórmulas mágicas. O Mestre não quis que eles somente fizessem os mesmos milagres - como o mundo classificou - apenas porque aprenderam a fazer igual. Jesus quis exemplificar, assim como muitos outros grandes mestres da Luz, que os filhos de fé, e aqui podemos chamar de "umbandistas", precisam servir aos irmãos numa atividade servil e caridosa de amor ao próximo.

Portanto, umbandistas, ouçam o que diz o Mestre da Galiléia: "Vem, e Segue-me!".

Julio Cezar Gomes Pinto

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Oitava Lágrima do Caboclo de Aruanda

Mensagem transmitida na Casa de Caridade durante a Gira de Desenvolvimento Mediúnico em complemento ao já famoso texto "As Sete Lágrimas de Pai Preto"



Ah... A Oitava Lágrima...


A oitava lágrima eu vi rolar dos olhos do Caboclo de Aruanda. E então, perguntei:


"E essa lágrima, meu pai, o que significa?"


Ele então me respondeu com a voz embargada e cheia de pesar:


"Essa lágrima, meu filho, é a mesma que desceu dos olhos do Cristo quando encontrou o querido Lázaro no túmulo...


Ela desce queimando minha face, como o sangue que desceu lá no Calvário, da cabeça divina coroada de espinhos.


Essa lágrima representa a dor e a tristeza que invade os corações de todos os Caboclos de Aruanda.


A dor em ver tantos filhos de fé retribuindo com ingratidões todos os favores a eles dispensados. Em receber em troca do amor que lhes dou, muitas flechadas embebidas no fel da discórdia e da descrença.


Representa o sofrimento em receber nas mãos os cravos da injúria daqueles que, negando a mensagem de Jesus, levantam falsas palavras contra o meu carinho e afago.


É a lágrima que ofereço aos filhos que me abandonam na jornada e na difícil tarefa de apascentar as ovelhas perdidas do Senhor.


É a lágrima que jorra todos os dias em favor dos médiuns que não aplicam seus corações nos ensinamentos que o Pai determina que eu lhes dê.


Entrego em favor dos filhos que vêm para esse Pequeno Paraíso, a Tenda de Umbanda, com os corações e as mentes cheios de espinhos e abrolhos que a terra seca produz.


Aos que, cegos, não conseguem ver a beleza e a pureza que, dia após dia, permito que vejam dentro do Congá o qual purifico e perfumo com as essências da caridade e do perdão.


Desce, porque sinto o peso da cruz do Nazareno e não encontro nenhum Simão para me ajudar a levantar da terra e a continuar firme em direção ao alvo que Deus, nosso Pai, quer levar a todos.


Enxuga-me os olhos, filho...


E me presenteie com o seu amor.




Casa de Caridade Santo Antônio de Pádua

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Onde Está Minha Coroa?!




Em alguns terreiros de Umbanda é comum a confirmação ao trabalho de um médium em desenvolvimento através do ritual conhecido pelo nome de Coroação. Já outros terreiros usam o ritual do Amaci (lavagem da cabeça com ervas específicas) como ato confirmatório da preparação ao serviço mediúnico daquele que por alguns meses ou anos freqüentou a corrente e participou das giras de desenvolvimento. Já outros terreiros sequer utilizam algum ritual preparatório. Os chefes verificam a incorporação e o teor de algumas mensagens das entidades incorporadas e depois enviam o médium para o trabalho na corrente. Tais procedimentos, entretanto, variam de uma casa para outra. Como não há nenhuma determinação geral e única, cada agrupamento de umbandistas pratica aquilo que aprenderam com seus pais ou mães de santo e perpetuam o ritual em seus templos.
A coroação do médium não se restringe a apenas uma lavagem de cabeça com ervas aromáticas, ou raspagem, ou cortes, ou quaisquer outros rituais meramente externos de demonstração pública. Considerando todas as etapas do processo de preparação, o médium em desenvolvimento não perde seu tempo em interrogações inoportunas ao Dirigente ou ao Guia-Chefe pelo dia em que será finalmente coroado. A espera é salutar, mas a pressa torna o aprendizado deficiente. A ansiedade, a intemperança e a impaciência são entraves para um saudável processo de aprendizado e um manuseio firme e seguro do seu instrumento de trabalho, a mediunidade.
Uma corrente de Umbanda é composta basicamente de médiuns em preparação, médiuns preparados e Guias Espirituais. O preparo do médium que irá servir de instrumento dos Mentores Espirituais da Umbanda é etapa importante para o bom e seguro trabalho de uma corrente umbandista. Essa preparação engloba tantos passos que grande parte dos médiuns em desenvolvimento desistem do serviço sacerdotal que iriam desempenhar. O fato é que muitos não aprenderam a controlar seus impulsos e gostariam de já estar “trabalhando” com seus Guias. Acreditam que somente o fato de sentir “uma vibração” intensa das Entidades já é suficiente para ouvir o consulente, aplicar-lhe passes e rezas, receitar obrigações, oferendas e banhos ou realizar trabalhos de desmanches de magia – serviço muito perigoso, mas comum nos terreiros de Umbanda.
Os médiuns em preparação, ou em desenvolvimento, desconhecem algumas nuances da mediunidade que podem ser prejudiciais a si mesmos e até mesmo a todo o corpo mediúnico. Não têm a percepção de que a mediunidade pode ser-lhes útil ou poderá se transformar num grande trampolim colocado à beira de um precipício. Tal a necessidade do preparo acompanhado de perto pelo Guia-Chefe e sob os olhos sempre atentos do Dirigente Espiritual do Terreiro.
O médium que age pelo impulso é comparável àquele discípulo que mereceu várias vezes as reprimendas de Jesus Cristo, tamanha era sua impulsividade. Por impulso, Pedro arrancou a orelha de um soldado. Noutra ocasião, o mesmo Pedro que antes havia sido corrigido por Jesus exclamou que iria para a cruz no lugar do Mestre. Também por impulso, o apóstolo respondeu a Jesus, logo depois da Ressurreição, que o amava. O indivíduo que usa a mediunidade sem o devido preparo é como o homem que empunha a espada sem o treino da habilidade: fatalmente alguém sairá ferido no fim das contas.
Pedro teve que aprender a controlar os impulsos e, acima de tudo, a ser paciente. A paciência é uma virtude que deve ser cultivada por todo aquele que deseja servir à Espiritualidade Maior.
O primeiro passo que o postulante ao exercício mediúnico deve dar, a partir da real compreensão do chamado realizado pelos Mentores da Corrente Astral da Umbanda é o abandono dos velhos costumes por uma promessa de grandes resultados futuros. Assim como Pedro abandonou a rede que consertava e iniciou uma trajetória de aprendizado contínuo, o médium em desenvolvimento literalmente lança ao chão os velhos dogmas e as concepções errôneas acerca da vida espiritual, da caridade e do seu papel na vida comum.
As palavras ”é necessário ao homem nascer de novo” implicam em deixar para trás todas as amarras do velho homem que todos levam consigo para as correntes mediúnicas, sejam em formas de pensamentos, atitudes ou visões do exterior. É preciso deixar para trás alguns conceitos que outrora cultivou com tanto afinco e sem resultado concreto, tal como a crença em condenações eternas, ou o temor a um Deus vingativo e cruel, ou a unicidade da existência, ou ainda a religiosa supremacia de uma única raça e a demonização de irmãos e amigos desencarnados. Conceitos que afastam o médium de sua importância no intercâmbio espiritual e o lança a um mundo materialista e obscuro.
A próxima etapa nesse vagaroso processo de aprendizado é a caminhada diária e constante, sempre guiado pelo Mestre e Amigo. Pedro, assim como os demais discípulos, precisou caminhar ao lado de homens que mal conhecia. Alguns deles até mesmo eram mal-vistos pela tradição religiosa da época. E, nessa caminhada diária, muitas coisas viu e ouviu do Mestre Nazareno. Nas idas e vindas pelas terras da Judéia, Pedro atravessou um longo estágio de aprendizado.
O médium em preparação carece de um tempo para assimilar todas as coisas que ouvirá do Guia Espiritual e todas as informações são dosadas diariamente. Não se aprende tudo em um único dia ou em um único mês. É preciso tempo e observação constante de tudo o que estará vivenciando ao longo dos meses. Há que compreender também as diferentes opiniões e modos de agir dos seus irmãos de corrente.


O desenvolvimento envolve, ainda que dolorosamente, a aceitação das diferenças comportamentais, ideológicas, religiosas, sociais e morais de co-participantes dos rituais umbandistas. Mesmo que tenha um pouco mais de conhecimento, não deverá se colocar acima dos demais como o senhor da verdade apontando-lhes as falhas e os tropeços da caminhada.
A oração constante, a busca pela essência divina e o esforço por uma vida espiritual mais elevada devem estar no trabalho individual de preparação ao serviço mediúnico nos terreiros de Umbanda. Para obter grandes e preciosas inspirações dos Mentores de Aruanda, o médium em desenvolvimento colocar-se-á em humilde posição de alma necessitada e buscará a força necessária através de horas de conexão com o Plano Superior. Assim, terá experiência suficiente para discernir entre a comunicação de um Guia Superior ou a ardilosa verborragia de uma Entidade embusteira.
A confirmação para o trabalho mediúnico chegará no tempo certo não sem antes a verdadeira compreensão do ministério repetido várias vezes dentro de si. Como fez o discípulo quando interpelado pelo Cristo sobre o seu amor incondicional. Após a confirmação íntima de sua responsabilidade como médium a serviço da Espiritualidade Maior, virá do Alto o poder necessário para desempenhar o trabalho corretamente. É quando descem da Corrente Astral as irradiações poderosas dos Orixás que formam as Sete Linhas de Umbanda. A partir daí, o médium poderá ter sua “coroa” confirmada pelo Guia Chefe e pelos seus próprios Mentores.






Julio Cezar Gomes Pinto


Casa de Caridade Santo Antônio de Pádua


Guarapari-ES

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Casa de Caridade Ergue Nova Tenda Para os Ciganos

Mais uma vez a Casa de Caridade Santo Antônio de Pádua levanta uma tenda no meio do terreiro para homenagear o Povo Cigano.
Neste ano, a tenda ganhou sete colunas representando as Sete Linhas da Umbanda. Cada coluna foi decorada com tecidos coloridos e com estampas florais como lembrança à tradição das mulheres ciganas em usar o lenço como adereço principal de suas vestimentas.
A festa aconteceu no último dia 24 de maio, quando então se comemora o dia de Santa Sara Kali, padroeira do povo cigano.


"Conta a lenda que Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéia e Trofino, junto com Sara, uma cigana escrava, foram atirados ao mar, numa barca sem remos e sem provisões.
Desesperadas, as três Marias puseram-se a orar e a chorar.
Aí então Sara retira o diklô (lenço) da cabeça, chama por Kristesko (Jesus Cristo) e promete que se todos se salvassem ela seria escrava de Jesus, e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito.
Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje a tão querida Saintes-Maries-de-La-Mer.
Sara cumpriu a promessa até o final dos seus dias.
Sua história e milagres a fez Padroeira Universal do Povo Cigano, sendo festejada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio.
Segundo o livro oráculo (único escrito por uma verdadeira cigana) "Lilá Romai: Cartas Ciganas", escrito por Mirian Stanescon - Rorarni, princesa do clã Kalderash, deve ter nascido deste gesto de Sara Kali a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço que é a peça mais importante do seu vestuário: a prova disto é que quando se quer oferecer o mais belo presente a uma cigana se diz: "Dalto chucar diklô" (Te darei um bonito lenço).




Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar. Muitas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mer no Sul da França, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um Diklô, o mais bonito que encontrassem.
E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.
Para as mulheres ciganas, o milagre mais importante da vida é o da fertilidade porque não concebem suas vidas sem filhos.
Quanto mais filhos a mulher cigana tiver, mais dotada de sorte ela é considerada pelo seu povo.
A pior praga para uma cigana é desejar que ela não tenha filhos e a maior ofensa é chamá-la de DY CHUCÔ (ventre seco)."



Texto extraído do Portal Guardiões da Luz >>> http://www.guardioesdaluz.com.br/




quarta-feira, 16 de junho de 2010

Santo Antônio - Patrono da Casa


Durante toda a história da humanidade, muitos homens, que mais tarde foram classificados com o nome de médiuns produziram fenômenos impressionantes muitas vezes independentes de sua própria vontade. Fenômenos que, dependendo da condição em que se encontravam aqueles que os produziam, os levavam às fogueiras ou às forcas. Há de se concordar que todos tinham uma missão muito proveitosa à humanidade, mas foram incompreendidos na maior parte das vezes. Dentre os vários médiuns que já vieram à Terra para continuar a obra do Mestre Jesus, ao menos um merece ser destacado pela quantidade de dons mediúnicos que demonstrou possuir.
É o homem que em Portugal se chama Santo Antônio de Lisboa, e, na Itália, é chamado de Santo Antônio de Pádua.
No imenso panteão de santos que a Igreja Católica possui, existem catalogados 39 santos cujo nome é Antônio. Embora nem todos tenham datas conhecidas para veneração ou recebam tamanho culto pelos fiéis da igreja romana, vale ressaltar que um desses sobreexistiu. É o Santo Antônio de Pádua, cuja data de culto é o dia 13 de junho, dia em quefaleceu no Plano Material.
Santo Antônio, cujo nome verdadeiro era Fernando Martim de Bulhões, nasceu em Lisboa, no dia 15 de agosto de 1195. Seus pais, Martim de Bulhões e Teresa Taveira, eram descendentes de famílias que chegaram a Portugal no tempo em que Dom Afonso Henriques, fundador da monarquia lusa, tomou dos sarracenos a futura capital do reinado português.
Nessa época, Lisboa era uma cidade pequena, de gente misturada - mestiça - com traços visíveis de suas origens árabes e romanos dos povos e cultos pagãos anteriores ao Cristianismo
Foi na Sé de Lisboa que Fernando de Bulhões recebeu os primeiros conhecimentos. Ficou ali até aos quinze anos de idade, frequentando as aulas de gramática, latim e música, na qualidade de moço do coro.
Em 1211 decidiu-se entrar para o convento dos frades agostinhos, em São Vicente de Fora, onde pouco permaneceu. Seu feitio moral não combinava com as perturbações que o importunavam e que o impediam de estudar e concentrar-se, o que o motivou a transferir-se para o retiro de Coimbra, em 1212.
No processo de canonização de Santo Antônio de Pádua, foram relatados nada menos de 53 fatos, chamados milagres, realizados pelo frade.
Santo Antônio de Pádua, ou de Lisboa, foi um grande médium e possuidor de diversos dons espirituais inerentes à sua condição mediúnica: foi audiente, profético, inspirado, médium de transporte, de efeitos físicos, de materialização, transfiguração, curador e transmissor de fluidos (passista).
Após ter vivido só sete anos como frade franciscano, pois desencarnou aos 36 anos de idade, encheu as crônicas de Portugal, França e Itália com as manifestações de sua mediunidade excepcional, como pouquíssimos médiuns que têm baixado à Terra trazendo tamanha força e riqueza mediúnicas.
Sentindo-se enfermo, esgotado, retirou-se para o campo em Arcela, e aí, em pouco tempo piorou e morreu, no dia 13 de junho de 1231.
Isto foi ocultado pelos frades, mas à hora da morte, nas ruas de Pádua, as crianças foram avisadas por intuição e começaram a gritar: "Morreu o frade santo!", "Morreu o Santo Antônio!".
Depois de voltar ao Espaço, Antônio de Pádua, operou vários prodígios espirituais. Apresentava-se positivamente onde quer que fosse solicitado pelo crente mais devoto e então agia conforme a fé e o merecimento do solicitante.
Foi canonizado pela Igreja em 1232, onze meses após sua morte, pelo Papa Gregório IX. Já o Papa Leão XIII chamou Santo Antônio de "Santo de todo mundo".

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Cantos de Umbanda




Documentário realizado em 2003 com apoio da Lei de Incentivo à Cultura.
Prefeitura Municipal de Sorocaba Lei nº 5736/98 LINC - Sorocaba/SP.
Projeto de Adilene Ferreira Carvalho Cavalheiro.
Direção: Adilene Ferreira C. Cavalheiro e Carlos Carvalho Cavalheiro.
Produção de Quântika (WM).
Outras informações veja no vídeo parte 1/8 (créditos).

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mestres de Reiki Argentinos Visitam Casa de Caridade


Os Mestres de Reiki Alexei Wayron e Ignácio Gallardo, argentinos da cidade de Mendoza, visitaram a Casa de Caridade nesta Páscoa e ficaram "encantados" com o que viram. Visivelmente emocionados, Alex e Ignácio comportaram-se como dois meninos que acabaram de ganhar um presente.

Os representantes da Casa Amarilla del Colibri, de Mendoza, chegaram a Guarapari na tarde de quinta-feira, véspera da Sexta-Feira da Paixão. Na manhã seguinte, às 6:00 horas, acompanharam os médiuns da Casa de Caridade na Procissão dos Sete Passos de Jesus, ritual instituído pelo Caboclo Flecha Dourada cujo objetivo é a meditação sobre a Paixão e Morte do Mestre Jesus Cristo. Durante o ritual participaram da "Cura", uma bebida feita com ervas amargosas e curativas. A Cura é utilizada na cerimônia como alusão ao sofrimento pelo qual Jesus passou durante seus últimos dias em Jerusalém.

Muito atentos ao que viam, também estiveram no encerramento da Procissão que aconteceu na mata, onde os presentes participaram da Ceia Pascal com todos os médiuns.

Durante os dias em que estiveram em Guarapari, os Mestres Reikistas demonstraram estar bastante interessados em compreender os rituais da Casa de Caridade e, a todo instante, faziam perguntas variadas sobre a Umbanda e toda a simbologia utilizada pelos Terreiros brasileiros.

Na segunda-feira, dia 05, conversaram por cerca de meia hora com o Preto Velho Pai Serafim, o qual por sua vez, abençou-os no trabalho de cura que exercem com o Reiki. O Pai Serafim disse também que estavam "levando uma pequena semente para sua terra, a semente da Umbanda".

Na terça-feira, os dois mendozinos realizaram o Primeiro Seminário de Reiki da Casa de Caridade. A palestra contou com a presença de oito brasileiros interessados em aprender como fortalecer o trabalho dos Guias com a ajuda do Reiki. Os oito participantes, entusiasmados e felizes, foram iniciados no Primeiro Nível do Reiki. O Presidente Julio Cezar disse que os oito novos iniciados juntar-se-ão para formar o Grupo Colibri de Mendoza.









Em seu último dia na cidade, quarta-feira, Alexei e Ignácio também presenciaram todo o trabalho que a Casa realiza na Sala da Cura André Luiz. Observaram as semelhanças com o que fazem na Argentina e viram como são realizadas as Sessões de Cura Espiritual.

Em conversa com o Presidente da Casa, os dois reikistas fizeram um retrato falado do que muitos praticam na Argentina como sendo ritual de Umbanda. Disseram estar completamente espantados com tamanha diferença entre o que é feito no Brasil e o que é realizado lá.

O Presidente esclareceu que a Casa de Caridade Santo Antônio de Pádua não é a única no Brasil que realiza tratamentos de Cura ou de Mesa Branca, mas que muitos outros terreiros no País também se aprimoraram nesses ritos. Disse ainda que as Giras de Caboclo e Pretos Velhos são as mais comuns nos terreiros do Brasil e enfatizou que a Umbanda tem na Caridade sua maior mensagem. Todos os trabalhos umbandistas devem ser realizados gratuitamente.

Ignácio Gallardo e Alexei Wayron (nome xamânico de Alejandro) deixaram a cidade de Guarapari com o coração cheio de alegria, não sem antes convidarem os representantes da Casa a visitarem a cidade de Mendoza, na Argentina.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Visita à Tenda Nossa Senhora da Piedade




Vídeo da visita do irmão Renato Guimarães à Tenda de Umbanda mais antiga do mundo.
Postado no Blog registrosdeumbanda.wordpress.com

sexta-feira, 5 de março de 2010

Os Guias de Umbanda



Na Religião de Umbanda manifestam-se Espíritos cujas atividades diferenciam-se pelas missões que cada um assumiu perante a Coroa Regente Planetária. São Espíritos Humanos que têm o grande papel de conduzir as pessoas no melhor caminho. São os Mentores Espirituais que na Umbanda são chamados de Guias.
Os Guias de Umbanda manifestam-se nos Terreiros seguindo um padrão já estabelecido desde a primeira manifestação através do médium Zélio Fernandino de Morais, jovem carioca que aos 17 anos de idade viu-se “incorporado” pelo Espírito que se identificou como Caboclo das Sete Encruzilhadas, nos idos de 1908. A missão desse Espírito ficou definida desde o início: inaugurar um novo culto em solo brasileiro. Um culto em que diversos outros Espíritos se manifestariam com o propósito de evoluírem e ajudarem os irmãos encarnados em sua caminhada terrena. Assim, aos Mentores Espirituais que se seguiram ao Caboclo das Sete Encruzilhadas, deu-se o nome de “Guias”, uma vez que eles começaram a “baixar” nos Centros de Umbanda trazendo a tarefa de guiarem os encarnados.
Um Espírito que se apresentou como Pai Antônio veio logo a seguir dizendo que era um “Preto-Velho”. Ao lado do Caboclo das Sete Encruzilhadas, o Pai Antônio fortaleceu as bases iniciais da Religião de Umbanda através da mediunidade de Zélio de Morais. Enquanto o Caboclo realizava um trabalho pautado na doutrinação e na sedimentação da Nova Religião, o Preto Velho definia seus trabalhos através de rezas, benzimentos e passes de curas. A partir da anunciação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, outros Espíritos “baixaram” nos centros umbandistas apresentando-se com as mais variadas formas fluídicas.
A Religião logo cresceu e, com ela, ampliou-se também a Corrente de outros Espíritos que encontraram na Umbanda uma oportunidade ímpar de acelerar seu processo evolutivo através da Caridade empregada aos irmãos encarnados e desencarnados. Assim, surgiram diversas outras formas fluídicas nas Giras de Umbanda: Crianças, Exus, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos, etc., cada qual com características próprias, maneirismos peculiares e jeitos particulares de trabalhar. Esses Guias de Umbanda compõem o que hoje é chamado de Linhas de Trabalho. As Linhas de Trabalho identificam o campo de ação de cada Entidade.
As Linhas de Trabalho foram, no início da Religião, confundidas com as Linhas Energéticas, ou Linhas Essenciais, que são pontificadas pelos Sagrados Orixás. É primordial que essa diferença seja bem definida para que não haja mais confusões.
Os Guias participam de agrupamentos afins chamados de Falanges. Os Espíritos que pertencem a uma determinada Falange assumem a identificação de seus Chefes Espirituais, cujos nomes determinam o próprio nome da Falange. Daí, cada Espírito que, por afinidade, participa da Falange de “Pai Antônio”, por exemplo, recebe esse nome. Por isso, há tantos “Pais Antônios” trabalhando nos Terreiros de Umbanda. O mesmo acontece com as demais Linhas de Trabalho.
A afinidade dos Espíritos é o que estabelece a qual linha eles irão pertencer. Não é a nacionalidade ou a raça vivida na última encarnação. Claro é que nem todo Espírito que trabalha na Linha de Preto-Velho (ou Linha das Almas – como é chamada em alguns terreiros) foi, de fato, negro ou velho na última encarnação. Nem todo Caboclo foi, no último encarne, um filho de índia (o) com branco (a). Também é certo que nem todo Boiadeiro viveu nos sertões ou nos campos apascentando rebanhos na encarnação passada. Isso explica também o que acontece na Linha das Crianças. Há Espíritos que compõem essa Linha que sequer tiveram alguma encarnação na Terra. São Espíritos Naturais conhecidos como Seres Encantados da Natureza.

Julio Cezar Gomes Pinto

A Egrégora de Umbanda



Se você é pai no santo ou médium freqüentador de algum terreiro, já deve ter pelo menos ouvido alguém dizer: -"Olha a corrente, gente! Vamos concentrar"!
Você sabe realmente o que isso quer dizer? Muita gente (até as que falam) não sabe! O que é essa tal de "corrente"? Será uma corrente de ferro ou de fibras que se forma no invisível? Será uma corrente que vai prender os espíritos? Será? Será?
Na verdade, quando um dirigente (quando bem preparado) chama a atenção para a "corrente" é porque ele sentiu uma queda ou diminuição na energia ambiente (EGRÉGORA) que deve ser mantida pelos médiuns em um potencial elevado, de forma a manter os trabalhos em nível adequado, até mesmo por uma questão de auto-preservação.
Numa gira de Umbanda e também nos cultos das Igrejas Evangélicas que fazem curas, etc,
um grupo de pessoas deve estar UNIDO POR UM MESMO IDEAL. Isso é a base de tudo!
Criada a egrégora (pela união dos pensamentos direcionados aos mesmos fins), cada vez mais energias de mesma sintonia são atraídas para o ambiente. Essas energias somadas atuam imediatamente nas pessoas que ali estão, e em alguns casos, se for bem forte já começam a operar alguns "milagres", desde que as pessoas estejam em estado de recepção (concentradas no ritual e ansiando por receberem um bem). As entidades afins (os seres espirituais) penetram e até são atraídas para o interior. Entidades inferiores tendem a ser barradas por uma força invisível (a energia) que a princípio é incompatível com suas vibrações (isso se tudo estiver "correndo bem").
Se uma entidade inferior for atraída para dentro da egrégora, ela fica de certa forma subjugada pela força desta e desse modo se consegue lhes dar um melhor encaminhamento para outros planos espirituais.
As entidades afins usam parte dessa energia para auxiliar os que ali estão na medida de suas possibilidades.
A técnica usada nos terreiros de Umbanda e Candomblé para formar a egrégora inicial (quando os grupos são bem dirigidos) está baseada nos rituais de "abertura". Já nas Igrejas Evangélicas e outras, consiste basicamente nas pregações, que fazem com que os adeptos se concentrem ou dirijam seus pensamentos de acordo com a "pregação". Nessas "pregações" há sempre um direcionamento do raciocínio dos ouvintes de forma a fazê-los pensar positivamente e acreditarem firmemente na possibilidade de alcançarem os bens que foram procurar. Nesse momento, embora nem saibam às vezes, estão gerando a egrégora.
Fazer com que a assistência de um terreiro participe ativamente, pensando positivamente, deve ser parte obrigatória de TODAS as giras de Umbanda. Essa, no entanto é uma prática esquecida e o que se vê em muitos terreiros é uma assistência quase sempre alheia, só participando em alguns momentos, de preferência quando vem ao encontro do que lhes interessa.
Dessa egrégora são retiradas as energias para a realização dos trabalhos, o que vale dizer que se essa energia não for forte o suficiente, o mínimo que pode acontecer é acontecer nada.
Por outro lado, se a corrente ou egrégora das "giras" não for suficiente, várias complicações podem acontecer com o passar do tempo, sendo que, o(a) dirigente, por ser o centro maior das atenções e para quem convergem as maiores quantidades de energia ali geradas e mesmo as trazidas pelos assistentes, é quem sofre, por assim dizer, as maiores conseqüências dos trabalhos realizados sem a devida segurança.

Baseado no texto: “Você sabe o que significa Egrégora?”, por “solkiinin”, em solkiinin@yahoo.com.br




quinta-feira, 4 de março de 2010

A Reencarnação


A Religião de Umbanda tem em suas bases doutrinárias a reencarnação como forma de evolução. Não chega a ser um castigo, como é visto em algumas doutrinas espiritualistas orientais. Também não é uma maldição ou uma bênção, mas sim uma forma necessária de todos os Espíritos humanos alcançarem a plenitude da consciência. Do mesmo jeito como a meditação e o estudo são formas de se chegar a um estágio de evolução superior, a reencarnação o é.
A Reencarnação, ou Palingenesia, é um ensinamento utilizado na Umbanda que teve origem nas religiões orientais, principalmente hinduístas. Essa palavra que tem raízes no grego significa, em suma, “nascer de novo” (palin = repetição, de novo + genes(e) = nascimento). Essa doutrina é ensinada nas Giras de Umbanda pelos Caboclos e principalmente pelos Pretos Velhos, Espíritos cheios de sabedoria e que passaram por inúmeras encarnações.

O “hinduísmo, religião antiqüíssima, surgiu aproximadamente no ano de 1.500 a.C. Os hinduístas professam a fé no carma, no darma, na reencarnação, no culto no templo e no reconhecimento dos Vedas como as escrituras sagradas. O “carma” é um mecanismo de compensação de vidas passadas. Toda ação praticada contra a moral e os bons costumes em uma encarnação passada, leva o infrator ao resgate e à expiação em posteriores existências, conforme os mecanismos da lei de ação e reação, ou Lei de Causa e Efeito.
Segundo a doutrina hinduísta, a maioria dos seres humanos passa, em média, por 140 encarnações pelo planeta Terra. Esta é a Roda das Encarnações ou Roda de Sansara, o ciclo de encarnações em que todos estão envolvidos, através da Lei de Causa e Efeito e, conseqüentemente, do carma de cada um. “A referida Lei enuncia que toda ação e pensamento que praticamos correspondem a um resultado equivalente.” (1)
Além dos hinduístas, vários outros povos da antiguidade já professavam a crença na reencarnação, tais como gregos, egípcios e até mesmo judeus da época de Jesus. Era voga entre os fariseus e outros grupos religiosos o debate sobre a imortalidade da alma e a pluralidade das existências.
É reencarnando, quantas vezes for preciso, que o homem – Espírito humano – consegue atingir a perfeição tão ensinada nos púlpitos das igrejas. Não se consegue alcançar essa perfeição em apenas uma parca existência de alguns anos, ou em apenas uma reencarnação. É inconcebível que o homem, enquanto Espírito em evolução, tenha somente uns poucos anos de vida na carne para trabalhar toda a perfeição que a humanidade busca há milênios. É uma incoerência gritante imaginar um Espírito que desencarna cheio de vícios e erros tendo que disputar um lugar no “paraíso” com outro menos apegado à materialidade à base de justificações criadas por religiosos também em busca da perfeição.

O Espiritismo, doutrina implantada por Allan Kardec, foi a mola propulsora para a divulgação em massa dessa doutrina milenar. Através d’O Livro dos Espíritos, o cientista francês disseminou o conhecimento sobre a reencarnação entre os povos ocidentais da atualidade, uma vez que tal fé limitava-se quase que exclusivamente às antigas religiões orientais. O Espiritismo explica que “a reencarnação é a volta da Alma, ou Espírito, à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo.” (2)
Ao contrário do Hinduísmo, o Espiritismo ensina que a reencarnação não é uma punição ou castigo aplicado às pessoas ruins, porém é uma nova oportunidade que Deus dá aos homens de corrigir erros passados, e adiantar-se, a fim de alcançar mundos superiores, através de provas e expiações.


(1) PAULA C., Reencarnação e Carma, Conceitos. In: www.amorcosmico.com.br.
(2) KARDEC, Allan. Nascer de Novo. In: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro, RJ; Federação Espírita Brasileira, 106ª Ed. – Cap IV – Item 4, p. 84.