segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Fim de Ano à Beira-Mar




Despedir-se do Ano que passou e, ao mesmo tempo, comemorar a chegada do Ano Novo à beira-mar parece ser uma obrigação de quase todas as pessoas que residem nas cidades litorâneas. Tornou-se uma tradição nas principais cidades situadas no litoral brasileiro.
De norte a sul do Brasil, todos se vestem de branco, com esporádicas e sutis mudanças ocasionadas pela moda, e correm em direção à praia com flores, champanhes, velas e barquinhos para saudar Iemanjá e receber com alegria o Ano Novo que se aproxima.
Entre os umbandistas esta prática é quase que uma regra, pois é comum acompanhar as Giras de Umbanda processadas ao ar livre, diante de olhares curiosos, céticos, debochados ou respeitosos. Nas tais cidades litorâneas do país, terreiros de Umbanda e barracões de Candomblé, preparam as oferendas e partem, em verdadeira romaria, para a praia.
Pode-se dizer que o fim-de-ano é uma das pouquíssimas oportunidades que os umbandistas têm para realizar oferendas para dois Orixás nos seus pontos de força ao mesmo tempo. Isto porque é na beira-mar onde se encontra o ponto de força maior da Divina Mãe Iemanjá e seu pólo negativo que é o Divino Pai Omulu.
Através da obra mediúnica "O Código de Umbanda", (Editora Madras) de Rubens Saraceni, os mentores espirituais responsáveis pela implantação e divulgação da religião de Umbanda na Terra ensinam que enquanto Iemanjá, Orixá que está assentado num dos pólos do Trono da Geração, tem no mar o seu ponto de força, Omulu tem na beira-mar seu local de grande magnetismo.
Segundo Rubens Saraceni, "Yemanjá, ou Mãe da Vida, é a Senhora da Geração e suas irradiações estimulam os seres a ampararem as criaturas (vidas). Ela é a maternidade que envolve os seres... Ela é a água da vida que vivifica os sentimentos e, em suas irradiações, umidifica os seres, tornando-os fecundos na criatividade (vida)."


"Omulu é negativo e seu magnetismo atrai os seres que se desvirtuaram e se tornaram estéreis. Se não criam mais nada, é hora de serem reduzidos a pó para que, nas águas de Yemanjá, voltem a ser espalhados, e que, no eterno movimento das marés, venham a ser reunidos, umidificados, fertilizados e renasçam para uma nova vida... Yemanjá... fecunda, Omulu... esteriliza. Enfim, são os opostos que regulam a Vida (geração)."


Os Caboclos e Pretos-Velhos da Umbanda conhecem todos esses detalhes, todos esses mistérios, que só agora estão sendo revelados através da psicografia de Rubens Saraceni e, sabiamente incutiram no mental dos Chefes de Terreiro o desejo de levar seus filhos no último dia do ano às praias, para que juntos pudessem prestar a devida homenagem à Mãe da Vida, a Divina Iemanjá. Ao mesmo tempo, todos juntos passaram a reverenciar o seu oposto, o Senhor da Morte, o Divino Omulu, pois assim como o mar é o ponto de força natural de Iemanjá, a beira do mar é o local de grande magnetismo do Orixá Omulu. É o mar, a Grande Calunga, (Grande Cemitério), como definiram os Guias..
E não é para menos. O mar, nas lendas iorubanas, é o Reino da Mãe Iemanjá. É o início da Vida, por isso, foi considerada a Mãe de todos os Orixás, segundo as lendas africanas.
Mas, a visão e o entendimento que os umbandistas devem ter a respeito de Iemanjá estão detalhados minuciosamente nos escritos de Rubens Saraceni, inspirado pelos diletos mentores que trabalham na divulgação e na difusão da religião de Umbanda a partir do Astral.
Inconscientemente, umbandistas e simpatizantes, descem ao santuário de Iemanjá para celebrar uma nova vida que começa. É o Novo Ano que se aproxima e chega no primeiro dia de janeiro.

No livro "Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada" (Editora Madras), Rubens Saraceni explica que "existem locais cujas energias ou cujos magnetismos são mais "puros" e facilitam o contato com o outro "lado" da vida."
"Estes locais são chamados de pontos de forças ou santuários naturais, porque é neles que devemos realizar cerimônias "abertas" nas quais cultuamos, evocamos e entramos em contato mediúnico com nossos guias espirituais e nossos amados pais e mães orixás."
"A beira-mar é um ponto de forças natural e é tido como o altar aberto a todos pela nossa mãe Iemanjá."
As comemorações e oferendas realizadas nas praias das cidades litorâneas é uma perfeita simbologia que aponta para aquilo que Deus realiza através do Trono da Geração, polarizado por Iemanjá e Omulu. É o encontro do que se finda, com aquilo que se inicia. É o encontro da Morte (representado pelo velho ano que se vai) com a Vida (simbolizada com a chegada do ano novo). É uma saudação à Mãe da Vida, através dos fogos de artifício, do espoucar das champanhes, dos sorrisos emocionados de todos e uma reverência ao Senhor da Morte, através dos cânticos de despedida e da emocionante contagem regressiva em uníssono.
Muitos realizam suas comemorações de fim de ano em grandes centros urbanos, dentro de igrejas, em casa ou num clube, mas nada se compara à emoção contagiante de uma "Entrada de Ano Novo" junto ao mar. Todos que assim fizeram experimentaram uma sensação diferente de renovação das forças e da esperança de dias mais felizes e bem aventurados. A irradiação emitida do Alto é incomparável, justamente por causa do que representa o fim e o começo de um período de 12 meses.



Diz Rubens ainda: "O culto aos orixás, sempre que possível, deve ser realizado nos seus pontos de forças ou santuários naturais, porque nesses locais a energia ambiente é mais afim com a deles, e os magnetismos ali existentes diluem possíveis condensações energéticas existentes no campo vibratório das pessoas."
Ao encerrar o velho ano na beira-mar, ou seja, onde termina a terra e começa a água, qualquer pessoa está se desvencilhando de toda velha energia que ficou desgastada pelo ano que se passou e, ao mesmo tempo, está de peito aberto para receber em si a irradiação emitida pelo Trono da Geração que cria no íntimo de cada um o desejo e a certeza de que o Ano Novo será melhor e mais próspero.
Essa é a razão de tanta alegria que sente todo aquele que vai nas praias levar flores, perfumes e manjares para a Mãe D`Água.
O anseio por deixar para trás as coisas ruins e negativas do Velho Ano é o motivo pelo qual as pessoas choram e deixam cair na areia da praia suas lágrimas que, sem o saberem, estão reverenciando o Divino Pai Omulu.

Linha das Crianças


Na Sagrada Umbanda manifestam-se Espiritos que por sua natureza encantam e alegram todo o ambiente, trazendo aos presentes uma sensaçao de pureza, alegria e paz. E impossivel nao se contagiar com a ingenuidade de alguns Espiritos que lhe pedem a bençao, beijinhos e guarana. Esses Espiritos compoem a Linha de Trabalho das Criancas, ou Ibejada - como sao conhecidos em alguns terreiros de Umbanda.
A Linha das Criancas representa a renovaçao espiritual que deve acontecer dia-apos-dia em todo ser humano, em atençao ao que disse Jesus aos seus discipulos quando andava na Terra: "Quem nao se tornar como uma criança, nao vera o Reino de Deus".
Quando se manifestam nos Terreiros, as crianças ocultam sua açao atraves de brincadeiras. Porem realizam verdadeiras curas que acabam se tornando imperceptiveis aos mais desavisados.
Por estarem ligados a ato de renovaçao dos seres, esses Espiritos trabalham na vibraçao de Oxumare, Orixa responsavel por renovar todas as coisas.
Anualmente, nos terreiros de Umbanda, sao realizadas festas com distribuiçao de doces e balas a crianças e adultos. Nao sao apenas doces de açucar ou mel, mas sao verdadeiros depositarios de energia que sofreram imantaçao com varios propositos espirituais e materiais.
Existe muita controversia sobre a verdadeira natureza das Crianças. Alguns autores as definem como sendo de espiritos que desencarnaram ainda crianças e outros dizem que a forma de se apresentarem como crianças nao passa de um simbolismo.
Rubens Saraceni nos afirma atraves de seus escritos psicografados que as crianças sao elementais da natureza que manifestam-se nos terreiros com o proposito de trazer renovaçao das forças espirituais e ate mesmo materiais.

Cosme e Damiao sao dois santos catolicos que no processo de sincretismo religioso acontecido no Brasil ficaram conhecidos como os representantes da Linha das Crianças. Muitos espiritos ate mesmo se apresentam com os nomes de Cosminho, Cosme, Damiao, entre outros.
Quando ocorreu o processo de sincretismo no Brasil, os negros oriundos da Africa associaram as figuras de Sao Cosme e Sao Damiao aos Orixas Gemeos cultuados sob o nome de Ibeji, que quer dizer "dois gemeos".
Cosme e Damiao eram dois irmaos que nasceram na Arabia, mas viveram no Oriente, na Asia Menor. Eram cristaos e por amor aos doentes praticavam a medicina sem cobrar qualquer quantia dos pobres. Realizavam curas em nome de Jesus e, por isso foram tidos como feiticeiros. O imperador Diocleciano, perseguidor dos cristaos, mandou que eles fossem presos e que se submetessem aos deuses romanos. Como se negassem a abandonar a fe crista, foram castigados com pedras e flechadas, mas resistiram. Logo depois foram decapitados. Acredita-se que tal fato ocorreu no Seculo IV da Era Cristã...

A Linha dos Pretos Velhos


Assim como Caboclo, Preto-Velho, no Ritual de Umbanda Sagrada, é um grau manifestador de um Mistério Divino.
Nem todo Preto-Velho é preto ou velho. São espíritos elevadíssimos que se manifestam sob a aparência de negros escravos, trazendo-nos o exemplo da humildade e simplicidade da alma.
Seu campo de atuação é vastíssimo e os encontramos atuando nas Sete Linhas de Umbanda, trabalhando a Evolução nos sete sentidos da vida dos seres.
Sua manifestação desperta a paz, a tranquilidade, a esperança e a perseverança, remetendo-nos à reflexão de nossa própria natureza íntima.
Com sua sabedoria e paciência, traz sempre uma palavra de fé e de consolo." (1)
É impossível comentar a respeito dos amados Pretos e Pretas-Velhas sem subir à lembrança a figura simpática dos velhinhos que mais se parecem com os avós de cada ser, com suas palavras doces, pacientes e tranquilas a respeito de tudo. São eles sempre tolerantes com as mazelas dos milhares de filhos que se sentam diante deles nos Centros de Umbanda e buscam uma palavra de conforto e carinho.
Palavras de conforto e carinho é o que transmitem com maestria, aliviando de seus filhos o peso da lida cotidiana, incutindo-lhes resignação, fé e esperança no porvir. Falam com mansidão e temperança. Não se aborrecem com as pessoas que, mesmo após ouvir seus conselhos sempre sábios, continuam tropeçando e caindo em erros e armadilhas feitas por elas mesmas.
É impossível falar a respeito dos queridos Pretos-Velhos, sem subir à memória a triste condição em que estiveram durante tanto tempo no solo brasileiro e em terras estrangeiras, sendo humilhados e subjugados a ferro e chicote. Trazem consigo a recordação daqueles famigerados anos de escravidão.
Écerto que nem todo Preto-Velho foi escravo nas terras brasileiras, mas uma grande parte dos Espíritos que assim se apresentam esteve encarnado na pele de negros africanos vivendo sob a tortura dos brancos.

(1) "As Sete Linhas de Umbanda - A Religião dos Mistérios", pág.151 - Rubens Saraceni; Ed. Madras.
(2) www.vivabrazil.com

sábado, 26 de novembro de 2011

Linha da Razão - Xangô

"Xangô é um Orixá bastante popular no Brasil e, às vezes, confundido como um Orixá com especial ascendência sobre os demais, em termos hierárquicos. Essa confusão acontece por dois motivos: em primeiro lugar, Xangô é miticamente um rei, alguém que cuida da administração, do poder e, principalmente, da justiça - representa a autoridade constituída no panteão africano. Ao mesmo tempo, há no Norte do Brasil diversos cultos que atendem pelo nome de Xangô. No Nordeste, mais especificamente em Pernambuco e Alagoas, a prática do Candomblé recebeu o nome genérico de Xangô, talvez porque naquelas regiões existissem muitos filhos de Xangô entre os negros que vieram trazidos da África. Na mesma linha de uso impróprio, pode-se encontrar a expressão Xangô de Caboclo, que se refere obviamente a um culto sincretizando influências do culto original com cerimônias e mitos dos indígenas da região, também chamado de Candomblé de Caboclo.
Na mitologia, é atribuído a Xangô (enquanto homem, ser histórico) o reinado sobre a cidade-estado de Oyó, posto que conseguiu após destronar o próprio meio-irmão Dada-Ajaká com um golpe militar. Por isso, sempre existe uma aura de seriedade e de autoridade quando alguém se refere a Xangô.
Xangô é pesado, íntegro, indivisível, irremovível; com tudo isso, é evidente que um certo autoritarismo faça parte da sua figura e das lendas sobre suas determinações e desígnios, coisa que não é questionada pela maior parte de seus filhos, quando inquiridos.
Suas decisões são sempre consideradas sábias, ponderadas, hábeis e corretas. Ele é o Orixá que decide sobre o bem e o mal. Ele é o Orixá do raio e do trovão. Miticamente, o raio é uma de suas armas, que ele envia como castigo. Ninguém, porém, deve temer sua cólera como uma manifestação irracional.
Xangô tem a fama de agir com neutralidade. Seu raio e eventual castigo são o resultado de um quase proceso judicial, onde todos os prós e contras foram pensados e pesados exaustivamente - a famosa balança da justiça.
O símbolo de seu Axé é uma espécie de machado estilizado com duas lâminas, que indica o poder de Xangô, corta em duas direções opostas. O administrador da justiça nunca poderia olhar apenas para um lado, defender os interesses de um mesmo ponto de vista sempre.
Segundo Pierre Verger, esse símbolo se aproxima demais do símbolo de Zeus encontrado em Creta. Pierre Verger especifica que esse oxé parece ser a estilização de um personagem carregando o fogo sobre a cabeça; este fogo é, ao mesmo tempo, o duplo machado, e lembra, de certa forma a cerimônia de Candomblé chamada ajerê, na qual os iniciados de Xangô devem carregar na cabeça uma jarra cheia de furos, dentro da qual queima um fogo vivo, demonstrando através dessa prova, que o transe não é simulado." (1)


O Trono da Justiça de Deus
Rubens Saraceni explica que Olorum (o Criador) gerou na "Sua qualidade equilibradora de tudo e de todos uma divindade que é em si mesma o Equilíbrio Divino que dá sustentação a tudo o que existe, tanto animado quanto inanimado, surgindo o Trono da Justiça Divina, Divindade unigênita porque é o Orixá do equilíbrio, da razão e do Juízo Divino.
Xangô, por ser unigênito e ter sido gerado em Deus, é em si mesmo a Justiça Divina que purifica nossos sentimentos com sua irradiação incandescente, abrasadora e consumidora das emotividades.
Mas Xangô, como Qualidade Divina, está na própria gênese das coisas como força coesiva que dá sustentação à forma que cada agregado assume, ou seja, ele está na natureza das coisas como o próprio equilíbrio, pois só assim elas não deixam de ser como são. Ele tanto é o ponto de equilíbrio que dá sustentação à estrutura de um átomo como é a força que dá estabilidade ao universo e a tudo o que nele existe, seja animado, seja inanimado.
Xangô também gera em si a qualidade em que foi gerado. Mas ele também gera de si essa qualidade equilibradora e a transmite a tudo e a todos.
Quem absorvê-la torna-se racional, ajuizado e ótimo equilibrador, tanto dos que vivem à sua volta como do próprio meio em que vive. Um juiz é um exemplo bem característico dessa qualidade equilibradora irradiada por Xangô, e não importa que o juiz seja um "filho" de outro Orixá, pois a manifestará naturalmente, já que a justiça humana é a concretização da Justiça Divina no plano material.
(...) Essa qualidade equilibradora está presente em todos os processos Divinos (criação e geração).
Com isto explicado, podemos entender a importância que tem essa Qualidade Divina, que na Umbanda a vemos nos procedimentos retos, justos e ajuizados dos caboclos de Xangô. Por isso, quando evocamos a presença dele, só o fazemos se for para devolver o equilíbrio e a razão aos seres e procedimentos desequilibrados e emocionados, ou para clamar pela Justiça Divina, que atuará em nossa vida anulando demandas cármicas, magias negras, etc., devolvendo-nos a paz, a harmonia e o equilíbrio mental, emocional, racional e até nossa saúde, pois, para estarmos saudáveis devemos estar em equilíbrio vibratório também no corpo físico." (2)


Xangô, segundo a Crença Africana
"Obá é a palavra da língua iorubá que designa rei (não confundir Obá (oba), com o Orixá Obá (Òbà), que é uma das esposas de Xangô). Segundo a mitologia, Xangô teria sido o quarto rei da cidade de Oyó, que foi o mais poderoso dos impérios iorubás. Depois de sua morte, Xangô foi divinizado, como era comum acontecer com os grandes reis e heróis daquele tempo e lugar, e seu culto passou a ser o mais importante da sua cidade, a ponto de o rei de Oyó, a partir daí, ser o seu primeiro sacerdote.
Não existem registros históricos da vida de Xangô na Terra, pois os povos africanos tradicionais não conheciam a escrita, mas o conhecimento do passado pode ser buscado nos mitos, transmitidos oralmente de geração a geração. Assim, a mitologia nos conta a história de Xangô, que começa com o surgimento dos povos iorubás e sua primeira capital, Ilê-Ifé, fala da fundação de Oyó e narra os momentos cruciais da vida de Xangô.
"No seu auge, o império de Oyó englobava as mais importantes cidades do mundo iorubá, tendo assim o culto a Xangô, que era o orixá do rei ou obá de Oyó, portanto o orixá do império, sido difundido por todo o território iorubano, o que não era muito comum, pois cada cidade ou região tinha os seus próprios orixás tutelares e poucos eram os que recebiam culto nas mais diversas cidades, como Exu, Ossaim e Orunmilá. O fato é que o apogeu da dominação da cidade de Oyó sobre as outras resultou numa grande difusão do culto a Xangô. Durante muito tempo a força militar de Oyó protegeu os iorubás de invasões inimigas e impediu que seu povo fosse caçado e vendido por outros africanos ao tráfico de escravos destinados ao Novo Mundo, como acontecia com outros povos da África." (3)
"Quando o poderio de Oyó foi destruído o final do século XVIII por seus inimigos, tanto a capital como as demais cidades do império desmantelado ficaram totalmente desprotegidas, e os povos iorubás se transformaram em caça fácil para o mercado de escravos. Foi nessa época que o Brasil, assim como outros países americanos, passou a receber escravos iorubás em grande quantidade. Vinham de diferentes cidades, traziam diferentes deuses, falavam dialetos distintos, mas tinham todos algo em comum: o culto ao deus do trovão, o obá de Oyó, o Orixá Xangô." (3)

Lendas Africanas
"Xangô vivia em seu reino com suas 3 mulheres - Iansã, Oxum e Obá -, muitos servos, exércitos, gado e riquezas. Certo dia, ele subiu num morro próximo, junto com Iansã; ele queria testar um feitiço que inventara para lançar raios muito fortes. Quando recitou a fórmula, ouviu-se uma série de estrondos e muitos raios riscaram océu. Quando tudo se acalmou, Xangô olhou em direção à cidade e viu que seu palácio fora atingido. Ele e Iansã correram para lá e viram que não havia sobrado nada nem ninguém. Desesperado, Xangô bateu com os pés no chão e afundou pela terra; Iansã o imitou.
Oxum e Obá viraram rios e os 4 se tornaram Orixás." (4)

"Quando Xangô pediu Oxum em casamento, ela disse que aceitaria com a condição de que ele levasse o pai dela, Oxalá, nas costas para que ele, já muito velho, pudesse assistir ao casamento. Xangô prometeu que depois do casamento carregaria o pai dela no pescoço pelo resto da vida; e os dois se casaram. Então, Xangô arranjou uma porção de contas vermelhas e outra de contas brancas, e fez um colar com as duas misturadas.
Colocando-o no pescoço, foi dizer a Oxum: " - Veja, eu já cumpri minha promessa. As contas vermelhas são minhas e as brancas, de seu pai; agora eu o carrego no pescoço para sempre." (4)

Oferendas
As oferendas para Xangô devem ser depositadas aos pés de uma montanha, pedreira ou uma cachoeira, sempre enriquecidas com velas brancas, vermelhas ou marrons e adornadas preferencialmente com lírios amarelos, brancos ou flores diversas. (2)
Compõem ainda as oferendas a cerveja escura, vinho tinto doce e licor de ambrósia. Aos caboclos de Xangô é importante que se oferende também charutos de boa qualidade.


(1) - Site www.umbandaracional.com.br;
(2) - Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, Rubens Saraceni - Editora Madras, 2005;
(3) - Página Pessoal de Reginaldo Prandi (Professor Titular de Sociologia da USP);
(4) - Site Pallas Editora

Linha da Geração - Iemanjá

Muitas são as formas de cultuar esse Orixá tão querido no meio umbandista. Muitos são os que têm verdadeiro fascínio por Iemanjá e não limitam esforços para realizarem oferendas com champanhe, rosas, espelhos, pentes e perfumes nas praias brasileiras. Não há motivo para apontar essa ou aquela maneira como sendo a correta forma de culto. Da mesma maneira como existem centenas de Orixás na África, diversas são as formas de veneração da Rainha das Águas. No livro "O Código de Umbanda", do escritor e teólogo umbandista Rubens Saraceni, há uma definição muito precisa da atuação de Iemanjá na vida dos homens e de toda a criação. Segundo Saraceni, "Yemanjá é o Trono Feminino da Geração e seu campo preferencial de atuação é no amparo à maternidade." Isto concorda inclusive com a crença africana que diz que Iemanjá é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento do nascimento, dando-lhes sustentação para a nova vida que surge diante deles.
Iemanjá é provavelmente um dos Orixás mais cultuados pelos umbandistas, ao lado de Ogum, Oxossi e Xangô, principalmente nos lugares onde as Tendas de Umbanda são próximas do mar. Iemanjá é considerada na Umbanda, e também nos cultos de origem africana, a Rainha das Águas, a Mãe Sereia, a Mãe D`Água. É ela que, segundo as lendas africanas, é a mãe dos demais Orixás e aquela que governa as águas dos mares e dos oceanos.




Nas cidades litorâneas, Iemanjá é cultuada no dia 31 de dezembro, quando então milhares de umbandistas e simpatizantes do Ritual reúnem-se à beira-mar para se despedirem do ano que passou e saudar a chegada do Ano Novo. Na Bahia, é cultuada no dia 2 de fevereiro, data em que se homenageia a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes.
Da mesma forma como os demais Orixás do panteão africano, Iemanjá também foi incorporada ao Ritual de Umbanda Sagrada, sendo um dos nomes mais respeitados e reverenciados dentro dos terreiros de Umbanda. A palavra Yemanjá é do Yorubá e significa "mãe dos filhos-peixe", e em alguns Estados ela foi sincretizada nos altares umbandistas com a santa católica Nossa Senhora das Graças, em outros com Nossa Senhora da Glória e ainda Nossa Senhora dos Navegantes.
Saraceni explica mais: "O fato é que o Trono Essencial da Geração assentado na Coroa Divina projeta-se e faz surgir, na Umbanda, a linha da Geração, em cujo pólo magnético está assentada o Orixá Natural Yemanjá e em cujo pólo negativo está assentado o Orixá Omulu."
"Yemanjá, a nossa amada Mãe da Vida é a água que vivifica e o nosso amado pai Omulu é a terra que amolda os viventes..."
"Yemanjá rege sobre a geração e simboliza a maternidade, o amparo materno, a mãe propriamente..."
A ligação de Iemanjá com as águas vai muito além daquilo que as lendas africanas retratam. Os iorubás, através das histórias fantásticas e cheias de simbologia, apontavam para uma das qualidades divinas do Divino Criador. Sem termos suficientes para a época que pudessem expressar toda a ciência que estava por trás das figuras dos Orixás, os iorubás prestavam o culto a Iemanjá e faziam os seus arquétipos sem muita preocupação com o fantasioso e o exagerado. Eram questões de fé, pertencentes exclusivamente aos povos africanos e agora também aos seguidores dos Cultos de Nação.
A simbologia contida na água pode-se verificar até mesmo nos escritos bíblicos. No livro de Gênesis, vê-se a descrição de como Deus retirou das águas a terra seca e fez a separação entre um e outro elemento. Antes da criação da terra seca, o "...Espírito de Deus pairava sobre as águas." A Criação, segundo a Bíblia, teve início nas águas da mesma forma como as lendas africanas retratam Iemanjá e o surgimento dos mares e dos oceanos.




Iemanjá, Segundo a Crença Africana
Seu nome significa Mãe dos Filhos-Peixes. Originária do rio Ogun, em Abeokutá, Nigéria, tem seus domínios nas profundezas das águas, de onde emerge para atender seus devotos, principalmente as mulheres que atribuem a ela poderes que favorecem a fertilidade e a fecundidade. É maternal, sempre pronta para amamentar as crianças sob seu domínio. Mas também sabe ser delicada, mantendo-se contudo pronta para defender seus filhos.
Os filhos de Yemanjá são pessoas autoritárias e persistentes em relação aos próprios filhos. São preocupados, responsáveis e decididos. São amigos e protetores e chegam, quando mulheres, a se comportarem como super-mães. São agressivos e até traiçoeiros, quando a segurança dos filhos e da família está em jogo. São faladores, não gostam da solidão.

Lendas Africanas

Conta uma lenda que Yemanjá, filha de Olokun, era casada com Olófim Oduduá com quem tinha dez filhos orixás. Por amamentá-los, ficou com os seios enormes. Impaciente e cansada de morar na cidade de Ifé, ela saiu em rumo oeste, e conheceu o rei Okerê; logo se apaixonaram e casaram-se. Envergonhada de seus seios, Yemanjá pediu ao esposo que nunca a ridicularizasse por isso. Ele concordou. Porém, um dia, embriagou-se e começou a gracejar sobre os enormes seios da esposa. Entristecida, Yemanjá fugiu.
Desde menina, trazia numa garrafa uma poção que o pai lhe dera para casos de perigo. Durante a fuga, Yemanjá caiu quebrando a garrafa. A poção transformou-a num rio cujo leito seguia em direção ao mar.
Ante o ocorrido, Okerê, que não queria perder a esposa, transformou-se numa montanha para barrar o curso das águas. Yemanjá pediu ajuda ao filho Xangô, e este, com um raio, partiu a montanha no meio. O rio seguiu para o oceano e, dessa forma, Yemanjá tornou-se a Rainha do Mar.

Conta outra lenda que Exu, filho de Yemanjá, se encantou por sua beleza e tomou-a à força, tentando violentá-la. Uma grande luta se deu, e bravamente Yemanjá resistiu à violência do filho que, na luta, dilacerou os seios da mãe. Enlouquecido e arrependido pelo que fez, Exu "caiu no mundo" desaparecendo no horizonte.
Caída ao chão, Yemanjá entre a dor, a vergonha, a tristeza e a pena que teve pela atitude do filho, pediu socorro ao pai Olokun e ao Criador Olorum. E, dos seus seios dilacerados, a água, salgada como a lágrima, foi saindo dando origem aos mares.
Exu, pela atitude má, foi banido para sempre da mesa dos Orixás.

Oferendas
As oferendas para Iemanjá devem ser depositadas sempre à beira-mar. O que não pode faltar são as flores, preferencialmente brancas. Rosas e palmas brancas, angélicas, orquídeas, crisântemos brancos e jasmim podem ser oferecidos a Iemanjá, acompanhados de champanhe, ou leite de côco, ou suco de uvas brancas. Como adorno, podem ser colocadas fitas brancas e azuis, acompanhadas de velas brancas, azuis ou rosas.
É possível também realizar oferendas com manjar de leite de côco, sem açúcar. Canjica branca cozida em água pura, e depois de escorrida, acrescentada com leite de côco em uma tigela branca, enriquecida com mel e uvas brancas por cima.
Outra oferenda pode ser feita com sagu e leite de côco ou tapioca com leite de côco.
As oferendas com comida geralmente são ímas de trabalho, com objetivos específicos que devem ser esclarecidos junto aos mentores espirituais, aos zeladores de Santo, ou Guias de um terreiro.

Linha do Conhecimento - Oxossi

Este Orixá, provavelmente o mais conhecido entre os Umbandistas, é o representante das forças das matas. É Oxossi quem cuida das plantas e dos animais silvestres. Através do sincretismo ficou conhecido também como São Sebastião, o santo católico que teve o corpo perfurado por flechas. O sincretismo com o santo deve-se ao fato de que os símbolos de Oxossi são o arco e a flecha, por isto, seu dia de culto é o dia 20 de janeiro.
Esta alusão às matas e aos vegetais, é devido à natureza expansiva de Oxossi. É o Orixá responsável pela conhecimento e pelo raciocínio.
As matas estão para Oxossi, assim como os rios estão para Oxum, e as águas do mar estão para Yemanjá.
A maior parte dos caboclos trabalham atualmente sob a irradiação de Oxossi, e isto tem razão de ser. A Umbanda é uma religião nova e precisa da irradiação de Oxossi para que possa expandir e tornar-se conhecida pelos homens. Assim como as flechas e lanças usadas pelos índios guerreiros e caboclos são atiradas e direcionadas para a frente, da mesma forma a irradiação de Oxossi faz com que o conhecimento sobre as coisas se processem.
Contemplar a figura de São Sebastião é, para os umbandistas, lembrar-se imediatamente de Oxossi. A razão está também no fato de ser a Umbanda uma religião que tem rituais de raízes indígenas. O arco e a flecha são instrumentos claramente indígenas e isto faz com que automaticamente a associação seja reita no mental dos homens.
Esta idéia não foi todavia em contraposição com o que a Ciência Divina pretendia ao instaurar a Umbanda nas terras brasileiras.
Oxossi é bastante cultuado no Brasil, ao contrário do que ocorre na Nigéria, onde teve origem seu culto. Porém, o culto a Oxossi foi difundido basicamente em Keto (terra dos panos vermelhos), e lá foi consagrado rei. No século XIX, devido ao
tráfico negreiro, a cidade de Keto foi praticamente destruída pelos ataques das tropas do rei Daomé. Os filhos consagrados a Oxossi foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas e Cuba.
"O Conhecimento é uma qualidade de Deus e Oxossi é sua divindade unigênita, pois ele é em si mesmo, o Conhecimento Divino que ensina a todos a conhecerem a si mesmos a partir do conhecimento sobre nosso Divino Criador.
Olorum gerou em Si o conhecimento sobre tudo o que criou, e porque tem conhecimento sobre toda a Sua criação, então o conhecimento assumiu a condição de uma qualidade Sua, à qual Ele imantou como um dos mistérios da criação, já que gera em Si o conhecimento e é em Si onisciente ou conhecedor de tudo e de todos.
Portanto, Oxossi rege sobre o conhecimento e irradia o tempo todo a todos, porque é em Si mesmo o Conhecimento Divino ou a onisciência de Deus." (1)
"(...) Seu magnetismo expande as faculdades dos seres, aguça o raciocínio e os predispõe a buscar a gênese das coisas (o conhecimento sobre elas). Logo, Oxossi é o estimulador natural dessa busca incessante sobre nossa própria origem Divina. E quanto mais sabemos sobre ela, maior é o nosso respeito para com a criação e mais sólida é nossa fé em Deus, pois passamos a encontrá-Lo em nós mesmos.
Então Oxossi está tanto na Natureza como nos conhecimentos sobre a Criação, assim como está na fé, porque nos esclarece sobre nossa origem Divina e nos ensina a conhecermos Deus racionalmente.
Por sua natureza expansiva e seu grau de divindade guardiã dos mistérios da Natureza, Oxossi é descrito nas lendas como um orixá caçador e ligado às matas (os vegetais). Como divindade, ele é o estimulador da busca do conhecimento e guardião dos segredos medicinais das folhas. (...) Oxossi é interpretado como a divindade que atua nos seres aguçando o raciocínio, esclarecendo-os e expandindo as faculdades mentais ligadas ao aprendizado das coisas religiosas, estimulando-os a buscar Deus sem fanatismo ou emotividade, mas com conhecimento e fé." (1)

Crença Africana
Oxossi, cujo nome significa Caçador Noturno é, segundo a crença africana, "filho de Iemanjá com Orunmilá. É a divinização da floresta, reina sobre o verde, sobre os animais selvagens, dos quais é considerado o dono e dos quais tem todas as virtudes e qualidades. Oxossi é sagaz como o leopardo, forte como o leão, leve como um pássaro, silencioso como um tigre, observador como a coruja, sabe se esconder como um tatu, é vaidoso como o pavão, corre como os coelhos, sobe em árvores como o macaco, conhece os animais profundamente e com eles partilha o conhecimento da Natureza.
Oxossi é o deus da caça, ligado às matas, irmão mais novo de Ogum. Também faz parte dos Orixás masculinos do panteão africano cujos princípios também são feitos de ferro."
"(...) Sua função é a de protetor dos caçadores, que passam grande parte do tempo em contato com Ossain, a divindade das ervas terapêuticas e litúrgicas, aprendendo com ele parte de seu poder." (2)

Lendas Africanas
"A cada ano, apósa colheita, o rei de Ijexá saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo à população inhame, milho e côco. O rei comemorava com sua família e seus súditos; só as feiticeiras não eram convidadas. Furiosas com a desconsideração, enviaram à festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada.
O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro tinha vinte flechas. Ele lançou todas elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro. Então o rei aborreceu-se, mas mandou-o embora.
Um segundo caçador apresentou-se, este com quarenta flechas; o fato repetiu-se novamente e o rei mandou prendê-lo.
Bem próximo dali vivia um jovem que costumava caçar à noite, antes do sol nascer; ele usava apenas uma flecha vermelha. O rei mandou chamá-lo para dar fim ao pássaro. Sabendo da punição imposta aos outros caçadores, a mãe do jovem caçador, temendo pela vida do filho, consultou um babalaô e os obis mostraram que, se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras, ele teria sucesso.
Na entrega da oferenda, o caçador deveria dizer três vezes: que o peito do pássaro receba esta oferenda! E assim o fez, acertando o pássaro bem no peito. O povo então gritava: Oxó Wussi! (Oxó é Popular!), passando a ser conhecido por Oxossi." (3)

Oferendas
As oferendas para Oxossi devem ser entregues em matas fechadas, altas, preferencialmente pouco exploradas pelos homens, enfeitadas com fitas verdes, vermelhas ou brancas. Na Umbanda, as oferendas para Oxossi consistem basicamente de velas verdes ou brancas, acompanhadas de flores brancas ou vermelhas, vinho moscatel, mate e água de côco com mel.
Devem ser depositadas sobre um tecido de algodão verde ou diretamente sobre a relva. Charutos também são bastante ofertados a Oxossi, especificamente aos caboclos.


(1) - Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada, Rubens Saraceni - Editora Madras, 2005;
(2) - Revista Espiritual de Umbanda, n.10 - Editora Escala;
(3) - Site "Mundo dos Orixás".

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Linha do Amor - Oxum

Doce Amor de Mamãe Oxum


A Orixá Oxum é a irradiação pura do amor e da doçura. Esse sentimento de verdadeira candura já está afixado no mental de todo umbandista.
A irradiação que vem do Alto e penetra os seres criados por Deus, realiza uma admirável transformação no interior dos corações embrutecidos.
Quem não se comove ao contemplar o ícone religioso da Senhora da Conceição que foi sincretizada com a Mãe Oxum? Isto é o resultado do trabalho silencioso e metódico dos Guias e Orixás.
Tão belo é o sentimento que este Orixá desperta nas pessoas que até mesmo cantores consagrados como Elba Ramalho e Zeca Baleiro, gravaram e incluíram em seus repertórios músicas em honra à doce Mamãe Oxum.
Ao longo dos tempos, este Trono foi denominado de várias formas. Teve vários ícones, várias humanizações, mas a vibração do Trono do Amor permaneceu o mesmo em todas as culturas.
Afrodite, Vênus, Ishtar, Maria, Oxum, são apenas alguns dos muitos nomes utilizados para designar este Trono Divino.
"Oxum é o Trono Natural irradiador do Amor Divino e da Concepção da Vida em todos os sentidos. Como "Mãe da Concepção" ela estimula a união matrimonial, e como Trono Mineral ela favorece a conquista da riqueza espiritual e a abundância mineral.
Seu elemento é o mineral e, junto com Oxumaré, ela forma toda uma linha vertical cujas vibrações, magnetismo e irradiações planetárias e multidimensionais atuam sobre os seres e os estimula ou os paralisa.
A Orixá Oxum é o Trono regente do pólo magnético irradiante da Linha do Amor e atua na vida dos seres estimulando em cada um os sentimentos de amor, fraternidade e a união.
(...)Na Coroa Divina a Orixá Oxum e o Orixá Oxumaré surgem a partir da projeção do Trono do Amor, que é o regente do sentido do Amor.
Oxum assume os mistérios relacionados à concepção de vidas porque o seu elemento mineral atua nos seres estimulando a união e a concepção." (Rubens Saraceni, O Código de Umbanda - pg 401 - Editora Cristális).
Os umbandistas, de forma geral fazem oferendas para a Divina Mãe Oxum nas cachoeiras. As cachoeiras são pontos de forças naturais, suas energias que têm origem nas quedas d'água energizam-na e a tornam irradiadora de forte energia mineral.
"As cachoeiras do plano material possuem sua contraparte etérica no plano espiritual, ao qual também energizam, pois têm esta dupla função. Mas uma cachoeira tem um campo vibratório cujo magnetismo é análogo ao do Trono Mineral ou Trono do Amor, que é a divindade natural (de natureza) que irradia energias que estimulam as uniões e as concepções nos seres.
E, porque o Trono do Amor (Oxum) possui uma hierarquia só sua, (...) nada mais lógico do que ser cultuado num ponto de forças do plano material cujo magnetismo é análogo ao seu (...) E no plano material, este ponto de forças, cujo magnetismo é análogo, localiza-se em todas as quedas d'água ou "cachoeiras"(...)
Logo, o altar natural do Trono do Amor são as cachoeiras do plano material." (Rubens Saraceni, O Código de Umbanda - pgs 318, 319 - Editora Cristális)


Oxum, Segundo a Crença Africana



É o Orixá dono da água doce. Mora no rio Oxum, na África. É considerada a Senhora da fertilidade, da gestação e do parto. Acredita-se que cuida dos recém-nascidos, lavando-os com suas águas e folhas refrescantes. Esta Orixá sabe cultivar suas características adolescentes, mantendo-se uma bela e jovem mãe. Possui muitas qualidades extremamente femininas, tais como a vaidade e a sensualidade. Sendo cheia de paixão, busca incessantemente o prazer, através da malícia e do exibicionismo. É consciente de sua beleza rara e se aproveita disso para seduzir e conseguir seus objetivos. Manifesta-se trazendo na mão um espelho (abebe).
Quando Orumilá estava criando o mundo, escolheu Oxum para ser a protetora das crianças. Ela deveria zelar pelos pequeninos desde o momento da concepção, ainda no ventre materno, até que pudessem usar o raciocínio e se expressar em algum idioma. Por isso, Oxum é considerada a Orixá da fertilidade e da maternidade.
Por sua beleza, Oxum também é tida como a deusa da vaidade, sendo vista como uma Orixá jovem e bonita mirando-se em seus espelhos (abebê) e abanando-se com seu leque (abelê). (1)


Lenda Africana


Segunda esposa de Xangô, considerada a mais bela de todas, teria sido presa pelo marido ciumento na torre do castelo que habitavam.
Passando por ali, Exu ouviu o choro de Oxum e quis saber qual a razão de sua tristeza. Após ouvir a história, pediu a ele que intercedesse por ela junto a Orumilá. Orumilá espalhou sobre a bela Oxum um pó mágico que a transformou em pomba, possibilitando a fuga, por isso, nos cultos a Oxum, a pomba é considerada um animal sagrado. (1)

(1) Retirado do Site "Mundo dos Orixás".